

A decisão dos Correios em rescindir antecipadamente o contrato de locação atípico de um galpão logístico do Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11) trouxe um novo capítulo para a briga entre o FII e a empresa estatal. Na sexta-feira (28), as cotas do fundo encerraram a sessão com uma desvalorização de 2,58%, negociadas a R$ 63,03. O estresse se deve ao impacto financeiro que a quebra de contrato pode trazer para a receita do fundo imobiliário. Isso porque o Centro Logístico de Contagem, em Minas Gerais, no qual a empresa estatal era locatária, corresponde por 45% da receita imobiliária do portfólio do FII.
Devido à relevância do ativo, a XP estima que a saída dos Correios do imóvel pode causar uma perda financeira mensal estimada em R$ 0,33 por cota. Já em relação aos rendimentos, a corretora acredita que os investidores não serão prejudicados no curto prazo. “Não esperamos uma redução nos rendimentos pagos pelo fundo no curto prazo, devido ao resultado extraordinário obtido com a alienação de dois imóveis e à parcela prevista para o segundo semestre, referente à venda do imóvel Multimodal”, informou a XP. A última distribuição de dividendos do fundo aconteceu no dia 18 de março, quando os cotistas receberam um pagamento de R$ 0,68 por cota. O valor veio em linha com os últimos quatro depósitos.
A XP ressalta ainda a decisão dos Correios de seguir com o processo de rescisão unilateral busca se isentar da multa corresponde ao recebimento dos aluguéis até o fim do contrato que venceria em 2034. Como mostramos aqui, a administração e os gestores do fundo estão dispostos a ir à justiça para garantir o pagamento da multa rescisória que supera os R$ 300 milhões.”É necessário acompanhar os desdobramentos dessa discussão, não apenas pelo impacto potencial sobre o fundo, mas também pelo precedente que pode ser gerado na indústria, visto que não há registros anteriores de quebra de contratos atípicos”, acrescenta a XP.
Entenda a briga entre o TRBL11 e os Correios que se arrasta há mais de um ano
Desde outubro do ano passado, a gestão do TRBL11 e os Correios enfrentam um impasse referente aos problemas estruturais do galpão logístico, responsável por 46,5% da receita do FII. Atualmente, o galpão logístico está parcialmente em obras para solucionar os problemas estruturais. As intervenções estão sendo realizadas após o imóvel ter sido interditado pela Defesa Civil do município de Contagem em outubro do ano passado. Saiba mais nesta reportagem.
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Na época, o fundo Tellus Rio Bravo Renda Logístico comunicou que os reparos demandariam cerca de R$ 14 milhões e seriam, inicialmente, pagos com os recursos do TRBL11. A primeira etapa das obras que visam solucionar os problemas estruturais foi concluída antes do prazo e viabilizou o retorno das atividades do centro logístico no início de dezembro. Apenas os espaços da cozinha e do refeitório que correspondem a menos de 1% do imóvel não poderiam ser utilizados devido às obras que ainda estavam em curso. Já o término da segunda etapa das intervenções que foca nos problemas relacionados ao solo está previsto ocorrer em abril.
Contudo, mesmo com o avanço dos reparos, os Correios não retornaram com as suas operações desde outubro de 2024. Em janeiro, quando o FII comunicou o atraso no pagamento do aluguel de dezembro, a empresa pública informou que já havia iniciado o processo de rescisão unilateral da locação. Veja os detalhes nesta reportagem.