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Azul (AZUL4) deve amargar outro prejuízo no 3º tri: o que vai pesar no balanço?

Analistas fazem estimativas para o balanço da companhia e dizem o que o investidor deve fazer com as ações

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

13/11/2024 | 15:12 Atualização: 13/11/2024 | 15:12

Azul (AZUL4). Foto: Adobe Stock
Azul (AZUL4). Foto: Adobe Stock

A Azul (AZUL4) deve reportar outro resultado no vermelho em relação à última linha do balanço no terceiro trimestre de 2024. Os analistas estimam que a companhia deve reportar outro prejuízo no terceiro trimestre de 2024, caso do BTG Pactual, que prevê prejuízo líquido de R$ 927 milhões no período, uma redução de 13,76% na comparação com o prejuízo líquido de R$ 1 bilhão do mesmo intervalo do ano passado. Mesmo com o resultado ruim na última linha do balanço, os analistas se dividem sobre o desempenho operacional da empresa. A empresa divulga seu balanço na manhã desta quinta-feira (14).

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Para os analistas da XP Investimentos, a Azul deve reportar resultados fracos. Os analistas comentam que esperam uma queda de 1% na Receita operacional da Azul por assentos-quilômetro oferecidos (RASK). Segundo os analistas, a queda deve acontecer devido à diminuição da taxa de ocupação em 0,8 ponto porcentual. O segundo fator seria o desempenho estável de tarifas devido à exposição ainda reduzida a Porto Alegre e Rio Grande do Sul, por causa da paralisação do aeroporto na época das enchentes de maio.

No geral, a equipe de XP calcula que o Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) deve ficar em R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre de 2024, uma queda de 6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já margem, que mede a rentabilidade, deve cair 3 pontos porcentuais, para 29%.

Alta do dólar deve pesar no balanço da Azul

A equipe da Genial Investimentos é mais otimista. Os especialistas comentam que, apesar de a empresa estar passando por um cenário macroeconômico desafiador, as estimativas são de que a Azul deve reportar resultados operacionais positivos, ainda penalizados pela depreciação do câmbio em decorrência dos ruídos fiscais.

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Os analistas dizem esperar que a receita líquida da Azul deva crescer 22% na comparação entre o segundo trimestre de 2024 e o terceiro trimestre de 2024. Já na relação entre o terceiro trimestre de 2024 e o terceiro trimestre de 2023, os especialistas dizem esperar que a empresa tenha que apresentar um aumento de 3,4% das receitas.

“Os volumes operacionais da Azul foram sólidos no trimestre. A combinação de forte demanda com atrasos nas entregas de aeronaves no setor impulsionou a taxa de ocupação para 82,6%, acima do segundo trimestre de 2024 (+2,9 pontos porcentuais) e ligeiramente acima do terceiro trimestre de 203 (+0,5 ponto porcentual), conforme dados da ANAC”, explicam Ygor Bastos e Kaique Rocha, que assinam o relatório da Genial.

Os especialistas comentam ainda que os preços do petróleo tendem a não ser um grande problema para a empresa, mas sim a alta do dólar, que podem pressionar os preços dos combustíveis, como o Querosene de Aviação (QAV), e o endividamento da empresa. “Isso impacta negativamente algumas linhas de custo e a alavancagem da companhia. Estimamos que a Dívida Líquida/EBITDA atinja 4,6x, desconsiderando os recursos obtidos com a reestruturação, um ponto de atenção para o futuro”, explicam os analistas.

Azul: acordo com credores é positivo

Já a equipe do BTG Pactual estima um prejuízo de R$ 927 milhões, redução de 13,76% na comparação com o prejuízo líquido do ano passado. Os analistas dizem que a empresa deve reportar uma receita líquida de R$ 5 bilhões, alta de 2% ante os R$ 4,9 bilhões do terceiro trimestre de 2023. Os especialistas também estimam que o Ebitda da Azul deve ficar em R$ 1,5 bilhão, recuo de 6%.

Em relatório, os analistas ressaltam que o trimestre foi marcado pelo fechamento do acordo com os detentores da dívida da companhia para garantir até US$ 500 milhões em um pacote de financiamento estruturado em três etapas.

  1. Desembolso inicial de US$ 150 milhões na semana do acordo
  2. Outros US$ 250 milhões esperados antes do final do ano
  3. E mais US$ 100 milhões adicionais a serem desembolsados ​​se a Azul atingir uma melhoria de US$ 100 milhões no fluxo de caixa anual entre 2025 e 2027.

“Se as condições na etapa 3 forem atendidas, os detentores de títulos fornecerão US$ 100 milhões extras em novo financiamento para os títulos de 2029 e 2030 e aumentarão a melhoria do fluxo de caixa anual da Azul para US$ 200 milhões e reduzirão a dívida em US$ 800 milhões”, afirmam Lucas Marquiori e Fernanda Recchia, que assinam o relatório do BTG.

Azul (AZUL4) vale o risco mesmo com resultado no vermelho?

Ainda assim, as três casas de análise afirmam que a Azul tem muito o que melhorar e não recomendam compra para o papel. A XP Investimentos tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 6,60 para o fim de 2025, o que seria alta de 27,41% na comparação com o fechamento de terça-feira (12), quando a ação encerrou o pregão a R$ 5,18.

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O BTG também vê grandes riscos na ação e diz que a empresa tende a continuar amargando prejuízos nos trimestres. A recomendação do banco para as ações da Azul é neutra com preço-alvo de R$ 17 para os próximos 12 meses, uma alta de 228% na comparação com o fechamento de terça-feira (12).

A Genial tem recomendação de manter, que é equivalente à neutra. Os analistas projetam que a companhia deve reportar um Ebitda de R$ 5,7 bilhões em 2024, abaixo da projeção de R$ 6 bilhões da empresa, o que complica ainda mais a situação da companhia. A Genial calcula um preço-alvo de R$ 17 para os próximos 12 meses, alta de 228%. Ou seja, o consenso é qde ue o investidor não deve comprar a ação da Azul (AZUL4) agora, mas deve manter o papel na carteira se ainda o tiver.

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