Entre outubro e dezembro do ano passado, o BB Seguridade registrou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, alta de 5,1% em relação a igual período do ano anterior. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve queda de 10,8%. Segundo a companhia, o crescimento foi sustentado pelo forte resultado financeiro das empresas do grupo tendo em vista a expansão do saldo médio, da alta da taxa Selic e da redução do custo de passivo de planos previdência da Brasilprev diante da queda do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).
Apesar do resultado positivo, o Itaú BBA ressalta que o desempenho operacional permance pressionado, ficando 4% abaixos das suas expectativas. Esse resultado, na avaliação do BBA, reforça a leitura de que o ambiente econômico para a companhia será desafiador em 2026, especialmente com as projeções para este ano que vieram abaixo das estimativas do banco.
Segundo BB Seguridade, o resultado operacional não decorrente de juros deve ficar entre -7% e -3%, enquanto os prêmios emitidos da Brasilseg e as reservas de previdência da BrasilPrev devem ficar entre os intervalos de -3% e 2% e de 8% e 11%, respectivamente.
“De modo geral, permanecemos cautelosos em relação à empresa, aguardando algumas melhorias operacionais, principalmente no que diz respeito aos prêmios. Prevemos que a ação será negociada a 8,5 vezes o lucro por ação estimado para 2026, com um rendimento de dividendos de 10,5%”, diz o BBA em relatório.
Para a Genial Investimentos, o balanço da BB Seguridade mostrou que a empresa não possui gatilhos claros de crescimento, o que deve limitar os rendimentos da companhia nos próximos trimestres. Segundo a corretora, apesar da alta de 11,4% na comparação anual, o lucro líquido da seguradora deve ficar em R$ 8,69 bilhões em 2026, refletindo a provável queda da Selic que tende a comprimir o seu resultado financeiro. O volume representaria uma queda de 4,4% na comparação de 2025 que fechou em R$ 9 bilhões.
“Mesmo negociando a múltiplos atrativos (8,3x P/L 2026e e dividend yield estimado de 9,9% para 2026), rebaixamos nossa recomendação de COMPRA para MANTER e reduzimos o preço-alvo de R$ 45,00 para R$ 40,40, o que implica upside potencial de 8,1% frente ao último fechamento”, afirmou a corretora.
O Citi, por sua vez, destaca o desempenho da BrasilSeg. Para o banco de investimentos, os prêmios emitidos de R$ 3,8 bilhões vieram abaixo das suas expectativas de R$ 4 bilhões, refletindo uma dinâmica de vendas fraca em todos os produtos de seguro. Além disso, a seguradora não conseguiu atingir a meta de variação de prêmios emitidos da Brasilseg, que previa um resultado de -4% a 1%, encerrando o ano com queda de 9% em relação a 2024.
Na Brasilprev, os resultados financeiros sustentaram expansão de 39% ante o ano anterior, mas também foram responsáveis por retração de 28% em relação ao trimestre anterior, desempenho que ficou aquém das expectativas do Citi. Por isso, o banco também tem recomendação neutra para as ações da empresa, com preço-alvo de R$ 32, o que representa uma queda de 14,3% em comparação ao fechamento do papel no pregão desta segunda-feira (9), quando fechou a R$ 37,36.
Apesar da cautela dos analistas, as ações da BB Seguridade (BBSE3) operam no campo positivo nesta terça-feira (10). Por volta das 12h (de Brasília), os papéis avançam 4,01%, sendo negociados a R$ 38,86