Braskem acelera reestruturação sob pressão da dívida e maior risco para acionistas, diz BTG
Banco vê melhora gradual nos spreads com apoio do cenário externo, mas destaca incertezas na estrutura de capital e possíveis impactos aos minoritários
Braskem busca avançar na reestruturação enquanto mercado monitora risco de diluição e pressão sobre custos de matérias-primas (Foto: Adobe Stock)
A Braskem (BRKM3; BRKM5) segue avançando em seu processo de reestruturação, mas ainda cercada por incertezas sobre o risco de diluição para acionistas minoritários. Depois da teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, o BTG Pactual mantém recomendação neutra para os papéis. Mesmo diante de sinais de melhora operacional no horizonte, com esforços contínuos para preservar liquidez e reorganizar sua estrutura de capital, o banco segue com visão cautelosa, com preço-alvo (12 meses) de R$ 9,00.
Segundo o BTG, a companhia vive um momento de transição em que fatores externos, como o cenário geopolítico, começam a jogar a favor – ainda que com efeitos graduais. “Tensões recentes no Oriente Médio elevaram os preços do petróleo e da nafta, com sinais iniciais de recuperação dos spreads[margem entre o preço de venda dos produtos e o custo das matérias-primas] de resinas”, destaca. Consultorias externas indicam que esses spreads podem melhorar cerca de 50% no início de 2026, mas a própria empresa pondera que há defasagens relevantes entre o aumento do custo das matérias-primas e o repasse aos preços finais.
Esse descasamento ajuda a explicar por que, mesmo com perspectivas mais construtivas, o curto prazo ainda inspira cautela. Isso porque o custo da nafta (principal insumo da petroquímica) segue pressionado pela concorrência global. A Braskem afirma ter suprimento garantido, com forte sourcing (originação) nos Estados Unidos, além de importações da Argélia e do Oriente Médio, mas reconhece que o ambiente segue desafiador.
Diante disso, a companhia reforça sua estratégia de transformação estrutural de reduzir a dependência da nafta de 80% para 40% até 2030, ampliando o uso de gás e etanol. Trata-se de uma tentativa não apenas de reduzir custos, mas também de aumentar a resiliência do negócio diante da volatilidade global.
Ainda assim, o principal foco permanece na reorganização financeira.
De acordo com o BTG, “a preservação da liquidez e a reestruturação da estrutura de capital continuam sendo prioridade”, em meio a um cenário de alta alavancagem e queima de caixa.
O processo está em andamento, com apoio de assessores financeiros e jurídicos, mas os detalhes ainda são limitados, o que aumenta a incerteza para o mercado.
BTG alerta para medidas drásticas
Entre elas, estão conversões de dívidas em ações, cortes (haircuts) ou até injeções de capital, movimento que “podem potencialmente diluir os acionistas minoritários“, segundo o relatório. Apesar disso, projetos estratégicos seguem no radar.
Iniciativas como o Transforma Rio continuam previstas e já têm financiamento considerado dentro do plano mais amplo de reestruturação, indicando que a empresa tenta equilibrar ajuste financeiro com continuidade operacional.
No campo operacional, a Braskem também enfrenta desafios. A companhia demonstrou frustração com a recente decisão antidumping no Brasil, que não avançou como esperado. A empresa argumenta que havia base técnica sólida para proteção contra importações dos EUA, especialmente diante da pressão de produtos de baixo custo e do encarecimento da nafta. A intenção agora é recorrer da decisão, sustentando que o cenário global, agravado por conflitos, piorou as condições competitivas.
Emissão de 15 bilhões de debêntures
Em paralelo, movimentos recentes reforçam a estratégia de reforço de capital. Segundo o Broadcast, a companhia informou que a Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), da qual é sócia ao lado da Petrobras (PETR3; PETR4) e da Ultrapar (UGPA3), realizará uma nova emissão de debêntures conversíveis em ações, no valor de cercar de R$ 451 milhões.
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A operação prevê a emissão de até 15,3 bilhões de debêntures, com remuneração de Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) + 5,5% ao ano até a conversão. Os papéis serão integralmente convertido em ações (ordinárias na primeira série e preferenciais na segunda) o que também representa um movimento de capitalização via conversão, alinhado ao esforço mais amplo de reorganização financeira.
O quadro da Braskem traçado pelo BTG é de uma empresa que começa a ver luz no fim do túnel operacional, com possibilidade de potencial de melhora de spreads, mas ainda fortemente pressionada por sua estrutura de capital.