Richard Kovacs assume como CEO da Brava Energia: para o BTG, mudança na liderança pode acelerar a monetização de ativos e a redução do endividamento. (Foto: Reprodução/Linkedin)
A Brava Energia (BRAV3) anunciou uma mudança relevante em sua alta liderança, em um movimento que o BTG Pactual interpreta como potencialmente positivo para a tese de investimento da companhia. Segundo o banco, Richard Kovacs, até então presidente do conselho de administração, assumirá o cargo de CEO no lugar de Décio Oddone, que permanece na função apenas até 31 de janeiro como parte de um processo de sucessão planejado.
A transição implica também ajustes no comando do conselho. Com a ida de Kovacs para a diretoria executiva, Alexandre Cruz, CEO da JiveMauá, passa a ocupar a presidência do conselho de administração da Brava com efeito imediato.
Na leitura do BTG, a mudança reforça o alinhamento entre gestão e acionistas estratégicos, além de sinalizar continuidade na direção estratégica da empresa.
Para contextualizar, a Brava Energia atravessa um momento em que o mercado acompanha de perto sua capacidade de reduzir alavancagem(usar recursos de terceiros para potencializar resultados) e acelerar a geração de valor para o acionista.
O BTG lembra que a desalavancagem segue no centro da história de investimento da companhia, em um cenário de dívida líquida ainda elevada e de necessidade de disciplina na alocação de capital. É nesse ponto que a troca de CEO ganha relevância, o banco vê o novo arranjo de liderança como um possível catalisador para uma gestão de portfólio mais ativa e focada em retornos financeiros.
Na avaliação do BTG, “enxergamos essa mudança de gestão como um potencial catalisador para uma abordagem mais ativa de rotação e monetização de ativos, com maior foco em retorno ao acionista e redução de endividamento”.
Mudança rápida mas já esperada pelo mercado
A Brava já teria sinalizado um movimento mais firme nesse sentido, o que, segundo o banco, pode acelerar a limpeza do balanço e a migração de valor da dívida para o equity(patrimônio líquido que pertence aos donos de uma empresa).
Outro ponto destacado é o perfil de Richard Kovacs. O BTG ressalta que o executivo “traz profundo conhecimento da base de ativos da companhia” e que seu alinhamento com o grupo Queiroz Galvão tende a preservar a continuidade estratégica, ao mesmo tempo em que pode acelerar a execução.
A leitura é que a familiaridade com os ativos reduz riscos de transição e permite decisões mais rápidas em um momento-chave para a empresa.
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No nível do conselho, a chegada de Alexandre Cruz é vista como um reforço adicional. Para o banco, a nomeação do CEO da JiveMauá como chairman “reforça a convicção e o comprometimento da Jive com a tese de investimento”, sinalizando apoio dos principais acionistas ao novo ciclo de gestão.
Esse respaldo é interpretado como um fator que pode ser bem recebido pelo mercado, sobretudo em um contexto em que governança e alinhamento estratégico são pontos sensíveis para empresas do setor de óleoe gás.
O BTG avalia que a troca no comando executivo pode trazer mais dinamismo à gestão da Brava Energia. A expectativa é que a combinação de continuidade estratégica, maior foco em monetização de ativos e disciplina financeira ajude a acelerar a desalavancagem e destravar valor para os acionistas ao longo dos próximos trimestres, mantendo a recomendação de compra para o papel.