

As ações do Carrefour (CRFB3) disparam 10% no pregão desta sexta-feira (4). Nem mesmo a retaliação chinesa às tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aprofundou ainda mais a guerra comercial, conseguiu parar as ações da companhia. Segundo analistas ouvidos pelo E-Investidor, a disparada acontece após a empresa elevar o valor a ser pago por ação para sair da B3 (B3SA3).
Às 15h35min, as ações do Carrefour subiam 11%, a R$ 8,24. Ontem, a companhia informou que aumentou o valor para resgatar as ações ordinárias da empresa de R$ 7,70 para R$ 8,50. Já a ação preferencial do Carrefour será resgatada mediante ao pagamento de R$ 4,25. A companhia informou ainda que a assembleia-geral dos acionistas para decidir o fechamento de capital foi adiada de 7 de abril para 25 de abril.
“A nova relação de troca concede a todos os acionistas a oportunidade de garantir liquidez em termos justos, com prêmio de 46,2% e de 39% sobre o preço médio das ações da companhia no último mês anterior a 10 de fevereiro de 2025 e nos últimos três meses anteriores a 10 de fevereiro de 2025, respectivamente”, informou o Carrefour.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
O BTG Pactual diz que os números fracos do balanço do Carrefour e o alto endividamento da companhia faz com que os controladores coloquem essa oferta em um patamar não tão elevado. “O adiamento da assembleia de acionistas e a melhoria nos termos da oferta para minorias são os principais motivos para a reação positiva das ações hoje”, apontam Luiz Guanais, Gabriel Disselli e Pedro Lima, que assinam o relatório do BTG.
O que pode acontecer com o acionista minoritário do Carrefour?
Para os analistas da Ágora Investimentos, os novos termos propostos parecem ser uma maneira de tentar reduzir a incerteza sobre uma potencial rejeição da proposta; e oferecer um ganho mais alinhado com o desempenho positivo mais recente das ações das varejistas. Eles comentam que a proposta surgiu após ruídos com os minoritários pelo fato da proposta de fechamento de capital do Carrefour sair com o papel próximo nas mínimas históricas.
“O controlador deve ter percebido que a aprovação poderia estar em risco. Com os termos atuais, a proposta é, na margem, mais favorável aos minoritários. Mesmo após esta atualização, nossa tese geral do setor, leitura cruzada para o setor e visões sobre o ambiente competitivo permanecem inalteradas”, dizem Pedro Pinto do Bradesco BBI e Flávia Meireles da Ágora Investimentos.
Já os analistas do Santander dizem existem dois caminhos. Caso a oferta seja aprovada, o acionista minoritário do Carrefour deve receber R$ 8,50 em dinheiro (14% de aumento em relação ao preço de fechamento de quinta-feira). Se a oferta não for aprovada, o controlador tende a aumentar a sua oferta ou ele pode desistir de vez. “Na desistência, o acionista provavelmente obterá pelo menos a valorização anual de 37%”, afirmam Ruben Couto, Eric Huang, Vitor Fuziharo, que assina o relatório do Santander.
Vale a pena comprar as ações do Carrefour?
Os três analistas consultados ressaltaram suas avaliações para as ações do Carrefour. A Ágora Investimentos tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 7,00 para o fim de 2025, uma potencial queda de 5,8% em relação ao fechamento de quinta-feira (4), quando a ação encerrou o pregão a R$ 7,43.
O BTG também tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 10 para o fim de 2025, crescimento de 34,6% em relação ao último fechamento. O Santander é o único a recomendar compra. O preço-alvo é de R$ 10 para o fim de 2025 com preço-alvo de R$ 10, o banco estima que a ação do Carrefour (CRFB3) pode subir ainda mais e que vale a pena o risco aportar no papel agora.
Publicidade