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Michael Klein cogita elevar participação na Casas Bahia (BHIA3) para 15%, diz fonte

Em nota, o Grupo Casas Bahia disse que o assunto não tem qualquer impacto na gestão executiva ou na condução do plano de transformação da companhia

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

02/04/2025 | 19:30 Atualização: 02/04/2025 | 20:05

Casas Bahia (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)
Casas Bahia (Foto: Márcio Fernandes/ Estadão)

Filho do fundador da Casas Bahia (BHIA3), Michael Klein cogita elevar sua participação no Grupo Casas Bahia dos atuais 10,42% para 15%, disse uma fonte próxima do assunto ao E-Investidor nesta quarta-feira (2). A ideia seria uma tentativa de Klein de assumir a presidência do conselho de administração da empresa. Em nota, o Grupo Casas Bahia disse que o assunto não tem qualquer impacto na gestão executiva ou na condução do plano de transformação da companhia.

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Ontem, o Grupo Casas Bahia divulgou em comunicado ao mercado que recebeu o pedido de convocação de assembleia-geral extraordinária para a destituição de dois membros do conselho (Rogério Peres e Renato Carvalho do Nascimento) para a entrada de Michael Klein e Luiz Carlos Nannini como novos membros do conselho. Na proposta, Michael Klein entraria como presidente (chairman) do conselho e Luiz Carlos Nannini será membro independente.

Segundo uma fonte do E-Investidor, Michael Klein tem se reunido com acionistas do Grupo Casas Bahia para combinar votos e ele afirma a possibilidade de elevar sua participação acionária além do anunciado recentemente. “Ele tem informado que pretende aumentar sua participação para 15% para garantir sua influência na companhia”, diz a fonte.

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Na terça-feira (1°), o Grupo Casas Bahia havia publicado um documento afirmando que Klein atingiu posição equivalente a aproximadamente 10,42% em ações de emissão da Companhia. O Grupo Casas Bahia possui um capital de controle pulverizado, sem um grande acionista com mais de 50% das ações.

Recentemente, a empresa tinha proposto mudar o estatuto para se defender de ofertas “hostis e oportunistas”, incluindo a cláusula de “poison pill”, ou pílula de veneno. A medida obriga o investidor que atingir 20% do capital a fazer uma oferta pública para todos os outros acionistas, um movimento que outras companhias de capital aberto também têm buscado. Em meio ao regulamento da empresa, para conseguir emplacar seu nome na presidência do conselho de administração, Klein precisaria assegurar 30% do capital votante a favor do seu nome.

Em nota, o Grupo Casas Bahia disse que o tema está relacionado à composição do Conselho de Administração, prerrogativa dos acionistas, conforme previsto na legislação e nas melhores práticas de governança corporativa. “O assunto não tem qualquer impacto na gestão executiva ou na condução do Plano de Transformação da companhia, que segue em plena execução, com foco em disciplina financeira, eficiência operacional e crescimento sustentável”, diz a varejista.

O que o mercado espera de Michael Klein como presidente do conselho de Casas Bahia?

Para analistas ouvidos pelo E-Investidor, a volta de Michael Klein para o comando do conselho da empresa pode ser muito positiva. Segundo Caroline Sanchez, analista da Levante, o Grupo Casas Bahia pode ter “uma reviravolta interessante” se Michael Klein reassumir a presidência do conselho.

“Com sua experiência e visão estratégica, a ideia é que ele possa ajudar a adaptar a empresa aos desafios atuais do mercado e buscar um crescimento mais sólido. Ele conhece o setor como poucos e já passou por várias fases da empresa. A expectativa é de que, com sua liderança, ele possa implementar estratégias que modernizem o modelo de negócios da Casas Bahia”, diz Sanchez.

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Ângelo Belitardo Neto, da Hike Capital, explica que o fato de Klein reassumir o conselho da companhia significa que a empresa estará focada em adaptar o modelo tradicional às atuais demandas do mercado consumidor. Ele lembra que Klein enfatiza a importância de preservar o núcleo da equipe executiva para garantir a continuidade dos trabalhos recentes.

“Sua intenção de manter a equipe executiva atual sugere um compromisso com a estabilidade e continuidade dos esforços recentes para equilibrar as finanças da empresa. Sua trajetória e envolvimento histórico com a companhia podem ser fundamentais para implementar estratégias eficazes visando a recuperação e o fortalecimento da Casas Bahia no mercado”, argumenta Belitardo.

Vale a pena investir nas ações da Casas Bahia?

Alguns especialistas dizem que o processo de transformação da empresa está longe de acabar, o que exige cautela por parte do investidor. O prejuízo do Grupo Casas Bahia foi de R$ 452 milhões no quarto trimestre de 2024, uma redução de 54,8% ante o prejuízo de R$ 1 bilhão apurado um ano antes.

Em linhas gerais, analistas enxergam que a empresa apresenta uma forte melhora do seu resultado operacional, com destaque para as vendas das mesmas lojas, que cresceram 17% entre o quarto trimestre de 2024 e o quarto trimestre de 2023. A companhia também reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 640 milhões no quarto trimestre de 2024, disparada de 300% em relação ao balanço do quarto trimestre de 2023.

É com base nessas perspectivas do resultado operacional que Acilio Marinello, sócio-diretor da Essentia Consulting, estima que a ação da Casas Bahia pode ser uma boa alternativa para o investidor. “O papel disparou no último mês e ainda vejo espaço para uma alta relevante para os ativos. A empresa está longe de terminar o plano de transformação, ela já vem apresentando resultados significativos na operação”, diz Marinello.

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Por outro lado, outros analistas estão receosos com o ativo. Diogo Carneiro, professor e consultor na Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), observa que o Grupo Casas Bahia continua longe de terminar o plano de transformação (turnaround), já que o endividamento da companhia continua elevado. O Grupo Casas Bahia encerrou o quarto trimestre de 2024 com uma dívida total, somando a dívida bruta mais fornecedor convênio (risco sacado) e crediário, de R$ 6,1 bilhões. O caixa líquido ajustado final da companhia está negativo em R$ 2,17 bilhões.

“Essa questão não deve se resolver no curto prazo de 1 ano. Talvez o cenário de 2 anos seja mais realista. Porque a incerteza ainda é muito grande, então o que precisa ser feito é a empresa manter uma situação vantajosa e lucrativa por tempo suficiente para gerar caixa e fazer frente a todo esse desafio que ela vem enfrentando”, diz Carneiro.

Desse modo, o especialista diz que o melhor no momento é o investidor ficar de fora do papel. Essa é a visão da analista da Levante, Caroline Sanchez, que possui recomendação neutra para o papel. Ela lembra que o ativo disparou no mercado, mas isso não é motivo para comprá-lo. “Apesar dessa alta, ainda mantemos uma postura cautelosa em relação ao papel, devido aos desafios operacionais e financeiros que a empresa enfrenta”, aponta Sanchez.

Ângelo Belitardo Neto, da Hike Capital, vai na mesma linha. Diz que o investidor deveria evitar adquirir ações de empresas sensíveis e alavancadas, comuns nos setores de varejo, cuidados pessoais e companhias aéreas. Por isso, ele tem recomendação neutra para Casas Bahia (BHIA3) com preço-alvo de R$ 8 para o fim de 2025, uma queda de 13,97% na comparação com o fechamento de terça-feira (1), quando a ação encerrou o pregão a R$ 9,30.

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