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A desaceleração econômica da China pode afetar a economia do Brasil?

A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil por meio da exportação de commodities

Por Daniel Rocha

27/10/2021 | 10:35 Atualização: 27/10/2021 | 13:48

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

A atividade econômica da China apresenta sinais de desaceleração, o que pode trazer prejuízos para as empresas brasileiras. Em relatório, analistas do Bank of America reduziram a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano e também para 2022. As estimativas não são nada agradáveis para as empresas exportadoras de commodities que possuem forte relação comercial com o gigante asiático. No entanto, ainda assim, alguns analistas recomendam a compra das ações do segmento devido ao porte financeiro dessas companhias.

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De acordo com o Bank of America, o PIB chinês deve fechar com 0,3 pontos percentuais a menos do que o previsto, com um crescimento de 7,7%. Em 2022, a redução estimada é de 1,3%, fechando em um aumento no PIB de 4%. As principais razões para a baixa atividade econômica são: o impacto da pandemia da covid-19, a crise energética e os investimentos imobiliários fracos.

Mas, como esse cenário pessimista da China pode afetar o Brasil? Segundo analistas, o país é um dos principais parceiros comerciais das empresas do setor de commodities. Assim, uma possível desaceleração econômica no país asiático pode impactar de forma negativa a performance de algumas companhias brasileiras. É o caso do setor de mineração. Para Victor Mouadeb, sócio da EWZ Capital, Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3) são exemplos de companhias que podem sofrer impactos, já que são as principais exportadoras de minério de ferro e aço para a China.

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“A China, desacelerando o seu PIB, faz com que as empresas reduzam, no futuro, seu faturamento e seu resultado líquido. Isso faz com que as ações de alguns setores caiam”, explica.

Moudaeb acrescenta ainda que os segmentos de proteína animal, formado pela JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3), e o de metalurgia também possuem forte relação comercial com o gigante asiático.

“Por mais que o dólar esteja alto, a gente sabe que para exportar para outro país precisa ter recursos e demonstrar crescimento econômico”, diz.

Com menor demanda de exportação, menor a necessidade de escoamento desses produtos para o exterior. Por isso, na avaliação de Matheus Spiess, analista da Empiricus, as empresas de logística também serão impactadas com uma eventual desaceleração chinesa.

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“Se você tem menor demanda por parte da China, numa desaceleração, haveria menor necessidade de escoamento desses serviços ou de produção de logística para que esse material chegue até seu destino”.

O que o investidor deve fazer?

Apesar da possibilidade desse impacto, Hugo Queiroz, diretor do TC Matrix, orienta aos investidores que não avaliem apenas a cotação das empresas desses setores. Segundo ele, é importante considerar o fluxo de caixa dessas companhias antes de tomar qualquer decisão.

“O investidor tem que ir para o lado da avaliação da empresa que está investindo, porque essas empresas (a dos setores que poderiam ser afetados com o crescimento baixo da China) estão em um estágio de estrutura de capital muito diferente do que no passado recente”, explica.

Isso quer dizer, na avaliação de Queiroz, que, mesmo com uma volatilidade alta no preço dos papéis, as companhias conseguem dar retorno aos investidores. “Mesmo com as ações variando, a margem de lucro será alta e a geração de caixa vai ser muito forte. Essas empresas não têm projetos adicionais para investir esses recursos. São empresas com risco financeiro baixo e com a parte operacional muito redonda”, destaca.

Mesmo com a redução da demanda, José Cataldo, analista da Ágora Investimentos, avalia que a performance das companhias exportadoras de commodities, de um modo geral, tem superado as expectativas da corretora de investimentos. Nesses segmentos, a Vale tem maior destaque.

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“Apesar da queda de preço nas últimas semanas, o preço médio do ano está acima do patamar das nossas projeções”, ressalta. Por isso, Cataldo recomenda a compra das ações das companhias de minério de ferro, como a Vale, e para as siderúrgicas, como a Gerdau.

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