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Mercado

Saiba se onda de calor e chuvas afetam as ações do agronegócio

Os papéis da maioria das empresas do segmento apresentaram queda no acumulado dos primeiros dias do ano

Por Daniel Rocha

17/01/2022 | 3:00 Atualização: 17/01/2022 | 7:38

(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

O ano de 2022 não iniciou bem para algumas companhias do agronegócio. De acordo com um levantamento da Economatica feito a pedido do E-Investidor, os papéis da maioria das empresas do segmento apresentaram queda no acumulado dos primeiros dias do ano.

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No entanto, segundo os analistas, as ondas de calor e as fortes chuvas que têm castigado a produção de grãos em alguns estados brasileiros não são as principais causas para a depreciação das ações. O motivo está mais vinculado à baixa capitalização das empresas, o que torna as companhias mais suscetíveis às volatilidades do mercado.

Os dados da Economatica mostram a performance das ações de nove companhias do setor de agricultura e de açúcar e álcool conforme a classificação da B3. Segundo o levantamento, de todas as companhias selecionadas, sete apresentaram quedas no acumulado deste ano. Três Tentos Agroindustrial SA (TTEN3), Boa Safra (SOJA3) e Terra Santa (LAND3) lideram as maiores perdas.

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Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, como essas companhias possuem baixa capitalização, as ações ficam mais suscetíveis às volatilidades do mercado, causadas por fatores como o aumento da inflação e reajustes da taxa de juros. “Nos últimos dois anos, houve um movimento de exacerbação monetária. Agora, devido à recuperação econômica e a esse “expansionismo”, vivemos com uma inflação alta”, explica.

Por causa desse cenário, Spiess acrescenta que a previsão é que os Bancos Centrais pelo mundo aumentem as taxas de juros para conter a alta nos preços. Com esse movimento, há mudanças na realocação dos investimentos tanto entre classes de ativos quanto nos setores dentro da bolsa.

“Os recursos se movimentam e saem de empresas de muito crescimento, com múltiplos muito elevados ou com fluxo de caixa muito no futuro (previsto para os próximos anos), dado que as companhias sofrem com descontos maiores em resposta às taxas mais elevadas”, afirma o analista da Empiricus.

Na avaliação dele, essa é a principal justificativa para a depreciação da maior parte dos papéis das companhias do setor. “Temos uma diferença da performance do Ibovespa e o índice de small caps que cai muito mais do que propriamente o IBOV. O mercado começou amargo em 2022”, acrescenta Spiess.

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Leonardo Alencar, head do setor de Agro, Alimentos e Bebidas da XP, avalia que as condições climáticas acompanhadas em alguns estados brasileiros trazem impactos mais pontuais para algumas empresas, mas não devem trazer prejuízos significativos para todo setor do agronegócio presente na bolsa de valores.

De acordo com ele, os riscos de uma perda da produtividade já estavam na conta das grandes companhias. “Os grandes produtores possuem estratégias de gestão de risco e estratégias de venda futura. As empresas possuem maior nível de produtividade. Quem sofre mais com esses eventos climáticos é o pequeno produtor”, acredita Alencar.

Até o momento, de acordo com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), as ondas de calor têm afetado mais a produção de milho e o complexo de soja. A estimativa, segundo Eduardo Daher, diretor executivo da ABAG, é que as altas temperaturas tenham causado um prejuízo de cerca de R$ 20 bilhões de reais no Rio Grande do Sul (RS) e de R$ 24 bilhões de reais no Paraná (PR).

“A crise hídrica e o atraso das chuvas já prejudicaram a produção. Agora, ninguém esperava essa estiagem excepcional que está sendo muito maior do que havíamos esperado”, ressalta Daher.

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Apesar do prejuízo, o agronegócio brasileiro encerrou o ano de 2021 com faturamento de R$ 1,3 trilhão. Segundo o diretor executivo da ABAG, o volume é o maior dos últimos cinco anos.

A maior demanda por alimentos e o aumento do preço do dólar em relação ao real foram as principais razões para o bom desempenho. “Plantamos com um dólar de R$ 3,80 e colhemos com o dólar de R$ 5,80. O agronegócio foi extremamente privilegiado com a variação do câmbio”, afirma.

Como e onde investir

Apesar dos contratempos presentes nas primeiras semanas de janeiro, Alencar acredita que 2022 será um ano positivo para as empresas de agronegócio. Na avaliação dele, a razão se deve à característica do setor. Quando o cenário macroeconômico piora, as companhias brasileiras de grãos usufruem da variação de câmbio. Além disso, uma possível queda na produção aumenta o preço dos grãos, aumentando o faturamento das empresas.

“O mercado mundial precifica o valor dessas commodities. Então, ele (o mercado) sobe o preço da soja e do melhor porque tem menos produção do Brasil”, explica o head do setor de Agro, Alimentos e Bebidas da XP.

Mas ao realocar os investimentos nessas empresas, a recomendação de Alencar é que o investidor procure empresas com atuação em diversas regiões do País e até no mundo. “O investidor tem que entender se a empresa é regionalizada ou se é diversificada geograficamente. Também precisa saber se possui uma gestão de risco”, orienta o especialista.

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Além disso, ao analisar os resultados da companhia, o investidor precisa verificar os resultados dos últimos quatro trimestres ou ao longo de um ano para identificar se a companhia entrega bons resultados. “Quase todo o faturamento dela acontece depois da safra e aí terá dois trimestres vazios. Na hora de olhar o balanço, não posso olhar só um trimestre porque não explica a história toda da empresa’, acrescenta Leonardo.

Nessa perspectiva, Jalles Machado (JALL3), São Martino ( SMTO3), Brasil Agro (AGRO3) e Boa Safra (SOJA3) são as principais recomendações de compara da XP para o setor.

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