Para Flávio Conde, analista da Levante, as bolsas americanas devem iniciar as negociações de segunda-feira (2) em baixa com o aumento da aversão ao risco desencadeada pelos conflitos no Oriente Médio. Segundo ele, a deterioração do cenário tende a ampliar o movimento de queda das ações das companhias de tecnologia, que já vinham sendo pressionadas pela cobrança do mercado por retorno sobre os elevados investimentos em inteligência artificial (IA). “O índice Nasdaq tende a cair mais do que o Dow Jones”, avalia Conde.
As ações do setor de defesa, por outro lado, tendem a se beneficiar com a instabilidade do ambiente global e podem ganhar tração na próxima semana. O ouro e os títulos públicos dos Estados Unidos, considerados ativos de proteção, também devem registrar valorização com o aumento da busca por segurança por parte dos investidores.
No Brasil, os analistas se dividem quanto ao real impacto da guerra sobre o mercado doméstico. Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, por exemplo, acredita que o impacto será moderado, uma vez que a possibilidade de um confronto já vinha sendo parcialmente precificada nas últimas semanas. Além disso, ele avalia que a instabilidade geopolítica provocada pelos Estados Unidos pode continuar favorecendo mercados emergentes, como o Brasil.
“Na segunda-feira, você pode ter alguma instabilidade, principalmente fora do País, mas a gente tem notado que o mercado brasileiro tem se descolado. A Bolsa bem ou mal sustenta patamares ao redor de 190 mil pontos, o dólar está baixo. Acho que não muda”, diz o analista.
Já Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, avalia que o dólar deve iniciar a sessão em alta, impulsionado pelo movimento de busca por proteção por parte dos investidores. O ibovespa, por sua vez, tende a sofrer muita volatilidade e pode acompanhar o cenário externo, iniciando a sessão em queda. “As ações ligadas ao petróleo, como a Petrobras (PETR3;PETR4), podem ser beneficiados com a alta da commodity”, destaca Novais.
Segundo o The New York Times, empresas de transporte marítimo suspenderam o envio de seus petroleiros pelo Estreito de Hormuz, passagem estreita onde circula pelo menos 20% da produção diária de petróleo. “Se houver uma interrupção no transporte, o petróleo pode superar os US$ 100 e, com esse nível de preço, teremos implicações na inflação de todos os países, sobretudo na China que é o maior importador da commodity do mundo”, avalia Cabral.
Os investidores também devem monitorar a extensão das retaliações do Irã. Ao longo deste sábado (28), o país lançou mísseis balísticos em direção a Israel e bases dos EUA no Oriente Médio. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para diplomacia econômica, Hamid Ghanbari, afirmou que o país tem o direito de se defender após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel.
Em entrevista à Al Jazeera, Ghanbari disse que Teerã responderá caso países da região sejam usados como base para lançar uma ofensiva em larga escala. Segundo ele, o Irã está preocupado com a segurança regional, ao contrário dos Estados Unidos. “A atenção agora se volta para os países vizinhos, como Emirados Árabes, que podem sofrer alguma represália um pouco mais significativa. Se isso acontecer, mostra que o Irã ainda tem muita força bélica e o conflito pode escalar a um nível ainda mais problemático”, diz Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
Grandes explosões sacudiram a capital iraniana, Teerã, onde moradores relataram ter visto fumaça subindo do distrito que inclui o palácio presidencial. Testemunhas descreveram o caos nas ruas enquanto iranianos corriam para buscar abrigo, encontrar familiares ou fugir da cidade. Veja a cobertura completa no Estadão.