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Mercado

O que esperar do Ibovespa após tensões entre Israel e Irã

Possibilidade de uma guerra gera incertezas, o que faz com que o investidor busque alternativas mais seguras

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

15/04/2024 | 13:01 Atualização: 15/04/2024 | 13:03

Painel do Ibovespa (Foto: Werther Santana/Estadão)
Painel do Ibovespa (Foto: Werther Santana/Estadão)

O Ibovespa pode ter um desempenho volátil nesta semana, mas com certo distanciamento em relação ao conflito entre Israel e Irã desencadeado no sábado.

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Para analistas, somente um contra-ataque israelense contra Teerã faria a Bolsa brasileira cair forte por temor das consequências econômicas do conflito. Por volta de 11h49, o Ibovespa tinha uma leve alta de 0,07%, a 126.039 pontos.

Na visão de Diogo Moreira Carneiro, consultor e professor da Fipecafi, a possibilidade de uma guerra no Oriente Médio gera incertezas, o que faz com que o investidor busque alternativas mais seguras. “Isso pode significar a migração de investimentos financeiros em países emergentes na direção de opções mais consolidadas, como títulos dos EUA. A consequência seria queda no Ibovespa no acumulado da semana”, explica Carneiro.

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O mercado asiático foi a primeira vítima dessa pressão sobre as ações. O índice japonês Nikkei caiu 0,74% em Tóquio, a 39.232,80 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,72% em Hong Kong, a 16.600,46 pontos, o sul-coreano Kospi cedeu 0,42% em Seul, a 2.670,43 pontos, e o Taiex registrou perda de 1,38% em Taiwan, a 20.449,77 pontos.

Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, aponta que o grande receio do mercado é que a guerra na região cause uma disparada do preço do petróleo, o que pode intensificar a inflação por todo o planeta. “Como consequência, temos o aumento nos custos das famílias e empresas, e deterioração na lucratividade das empresas. Dessa forma, podemos esperar mais volatilidade nas ações ligadas à economia real como empresas de transporte, logística, varejo, companhias aéreas dentre outras”.

Caso o conflito se agrave, os analistas estimam que o petróleo poderia atingir o patamar dos US$ 100 facilmente. Rafael Bentes, Head Internacional da RJ+ Asset, ressalta que o mercado teme que o Irã feche o estreito de Ormuz, por onde passam 30% do petróleo produzido no mundo, o que deve causar uma diminuição na oferta da commodity, elevando os preços do petróleo no mercado global.

Às 12h05min do horário de Brasília, os contratos futuros do Petróleo Brent com vencimento para junho de 2024 caiam 1,29%, a US$ 89,28. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, diz que essa tendência de baixa no preço do petróleo e no mercado ocorre pelo fato de o mercado acreditar que Israel não vai atacar o Irã, uma posição defendida pelos EUA. “Uma alta no petróleo causaria uma disparada na inflação, o que não seria positivo para os EUA. Por isso, o governo Biden atua nos bastidores para conter danos”, explica Lima.

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Acilio Marinello, professor da Trevisan Escola de Negócios e Partner da Essentia Consulting, lembra que é justamente a questão de inflação nos EUA que mais preocupa o mercado. Se a alta dos preços não for controlada, o investidor deve esperar uma nova postergação do início do corte de juros do Banco Central dos EUA, o Federal Reserve (FED).

Ele acredita que o dólar deve encerrar 2024 entre R$ 5,03 e R$ 5,05. Já no curto prazo, em caso de guerra no Oriente Médio, o analista da Levante, Flávio Conde, diz que o dólar pode alcançar o patamar de R$ 5,20. “Depois da guerra, a moeda deve cair. Acredito que se houver uma guerra, ela será curta”.

Como proteger o patrimônio em uma guerra entre Israel e Irã?

Marinello, da Trevisan, comenta que o melhor para o investidor é ter empresas de petróleo e do setor elétrico na carteira. “As empresas que exportam petróleo deve se beneficiar disso, visto que o preço da commodity deve subir. Outras empresas que podem se beneficiar são as de energia elétrica e saneamento. Elas repassam a inflação para os seus clientes via reajustes nos contratos de fornecimento”, explica Marinello.

Já Ângelo Belitardo, da Hike Capital, indica que o investidor deve buscar fundos de renda fixa privada multimercado em crédito privado, como os FIDCs assim como fundos de debêntures incentivadas geridos por grandes bancos e gestoras. “Adicionalmente, o investidor poderá diversificar seu portfólio em ações de empresas resilientes, desalavancadas e com ótimas perspectivas de dividendos futuros como Banco do Brasil (BBSA3), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3), Sanepar (SAPR4), Klabin (KLBN11), SLC Agrícola (SLCE3), CSN Mineração (CMIN3), CPFL Energia (CPFE3), Cemig (CMIG4) e Engie (EGIE3)”, diz Belitardo.

Conde,da Levante, pede cautela para o investidor, pois ainda não é claro se haverá uma guerra entre Israel e Irã. Diogo Moreira Carneiro, da Fipecafi, vai na mesmo linha e diz que a renda fixa continua atrativa. “Particularmente eu não vejo razões para alarde. Creio que o impacto será mais limitado no Brasil, e as opções que são consideradas mais seguras hoje, tais como títulos de dívida pública, permanecem como opções bastante sólidas”, saliente o especialista.

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