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Donald Trump cumpre ameaça e eleva tarifas sobre a China para 104%

A decisão do republicano aumenta a guerra comercial entre os dois países e os riscos de uma recessão a nível global

Por Daniel Rocha

08/04/2025 | 13:55 Atualização: 08/04/2025 | 15:11

As tarifas de Trump desencadearam uma guerra comercial entre os EUA e a China (Foto: Adobe Stock)
As tarifas de Trump desencadearam uma guerra comercial entre os EUA e a China (Foto: Adobe Stock)

A guerra comercial, causada pelas tarifas de importação dos Estados Unidos, ganhou um novo desdobramento com uma taxa adicional de 50% sobre os produtos chineses. O anúncio foi pela Casa Branca na tarde desta terça-feira (8). A nova alíquota entra em vigor a partir de amanhã e é uma resposta às retaliações da China ao pacote de tarifas do governo americano que foram anunciados no dia 2 de abril.

Leia mais:
  • Thiago de Aragão: A estratégia da China para reduzir a influência dos EUA na América Latina
  • Ibovespa cai e dólar fecha perto de R$ 6 com confirmação de taxas de 104% contra a China
  • Tensão global: o que esperar dos mercados se a União Europeia reagir às tarifas de Trump?
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André Valério, economista sênior do Inter, avalia que a decisão acentua a tensão comercial entre os dois países, embora os efeitos da tarifa adicional sejam limitados para a China. “A tarifa de 54% já havia efetivamente excluído a China do mercado americano. Então, a tarifa sair de 54% para 104% tem pouco impacto sobre as decisões do governo chinês. É provável que o governo chinês faça nova retaliação”, diz  Valério.

Se isso ocorrer, os mercados devem ficar ainda mais voláteis com os investidores apreensivos de que a queda de braço entre os dois países empurre a economia global para uma recessão. “Devemos continuar a observar o real desvalorizando na margem”, diz Valério. Esse efeito já é visto na sessão desta terça-feira (8). Por volta das 14h10 (horário de Brasília), o dólar disparou 1,40%, sendo cotado a R$ 5,99. Em contrapartida, o Ibovespa – principal índice da B3 – inverteu o sinal e voltou a opera no vermelho com quedas de 0,68%.

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“Poucas ações brasileiras devem fechar em alta porque o mercado local é muito ligado à China, especialmente o setor de commodities. Precisamos aguardar o que vai acontecer nos próximos dias”, diz Marco Saravalle, analista CNPI-P e sócio-fundador da BM&C e da MSX Invest. Já as bolsas de Nova York perderam fôlego durante a tarde. Às 14h25 (horário de Brasília), os índices Dow Jones e S&P 500 avançavam 0,52% e 0,21%, respectivamente. Já o Nasdaq recuava 0,24%, aos 15.565,25 pontos.

Na sexta-feira (4), quando os mercados digeriam as taxas recíprocas que foram anunciadas por Trump, a China comunicou que os produtos americanos também seriam taxados em 34%. A medida do governo chinês representava uma retaliação às alíquotas de 34% sobre os itens chineses que se somam às tarifas de 20% que já estão em vigor. Separadamente, o Ministério do Comércio da China disse adicionou 11 empresas americanas à sua lista de “entidades não confiáveis”, impedindo-as de fazer negócios na China ou com empresas chinesas.

A postura do gigante asiático não agradou Trump que, na segunda-feira (7), prometeu aplicar uma taxa adicional caso Pequim não recuasse da retaliação até esta terça-feira (8). “Se a China não retirar seu aumento de 34% acima de seus abusos comerciais de longo prazo até amanhã, 8 de abril de 2025, os Estados Unidos imporão tarifas adicionais à China de 50%, com efeito em 9 de abril”, escreveu Trump no Truth Social. “Além disso, todas as conversas com a China sobre as reuniões solicitadas conosco serão encerradas”, acrescentou.

Logo em seguida, o Ministério do Comércio disse que a imposição pelos EUA das chamadas ‘tarifas recíprocas’ à China é “completamente infundada e é uma prática típica de intimidação unilateral”. O órgão chinês disse ainda que o país está disposto a lutar até o fim. “A China está pagando para ver até onde Trump aguenta a pressão das bolsas globais e da sociedade porque eles (os chineses) sabem que nessa disputa a pressão dos americanos é mais pesada”, avalia Thiago Aragão, diretor de estratégia da Arko Advice e colunista do E-Investidor.

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