A valorização dos papéis ocorre em meio à expectativa de que as reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, sejam liberadas para a exploração das petroleiras americanas. No sábado (3), os EUA realizaram um ataque à Venezuela e capturaram o então líder político, Nicolás Maduro.
Após a ação, o presidente norte-americano Donald Trump sinalizou a intenção de explorar a indústria de petróleo da Venezuela. Restaurar a infraestrutura petrolífera do país, entretanto, não deve ser uma tarefa fácil. “Consumiria anos e possivelmente centenas de bilhões de dólares, mesmo no melhor ambiente de investimentos”, aponta Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus.
Petrobras na contramão
Diferentemente dos pares americanos, as ações das petroleiras brasileiras caíram no pregão. A Prio (PRIO3) cedeu 1,46%, negociada a R$ 41,15; a Brava Energia (BRAV3) recuou 5,76%, a R$ 15,71; a Petrobras (PETR4) registrou queda de 1,66%, com os papéis cotados a R$ 30,2; enquanto a PetroReconcavo (RECV3) caiu 0,64% a R$ 11,08. O movimento acompanhou a reavaliação do mercado sobre os preços do petróleo, diante do risco de aumento da oferta global no médio prazo.
Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o mercado precifica uma retomada mais forte de produção na Venezuela, ainda que isso seja um movimento de médio prazo, sem impacto imediato. Apesar da pressão sobre o setor petroleiro brasileiro, o Ibovespa se manteve no positivo na reta final da sessão, com alta de 0,83%, aos 161,8 mil pontos.
“Apesar do cenário, o movimento do mercado hoje foi até uma grata surpresa. O dólar não mostrou estresse e os DI’s também não, com a curva de juros praticamente estável e a moeda americana cedendo, em linha com o movimento que já vinha desde a semana passada. Isso chama atenção, especialmente diante das conjunturas do fim de semana, com a prisão de Maduro e tudo o que envolve a América Latina“, afirma Pletes.