Analistas não seguem uma direção única quanto aos possíveis impactos para a Azul. João Daronco, analista CNPI da Suno Research, entende um possível grande impacto seria a desconfiança de investidores de que o setor passa um momento delicado. Em um segundo momento pode ser até uma oportunidade para a Azul. Um efeito positivo, na leitura de Daronco, seria um ganho de marketshare.
Wellington Antonio Lourenço, analista CNPI da Ágora Investimentos, discordo e afirma que não haverá impacto para Azul, porque as empresas possuem teses diferentes. Para ele, a questão de desconfiança com o setor não é um capítulo novo, uma vez que fragilidade desse segmento no Brasil já é reconhecida.
“A Azul já conseguiu reestruturar sua dívida e alongar os prazos de vencimento. E um investidor deixar de investir na Gol não implica dizer que ele comprará Azul”, avalia Lourenço.
Quanto a ganho de mercado, ele aponta que as empresas têm operações distintas e não competem diretamente as mesmas rotas de voos. “A Gol está estudando a recuperação nos EUA exatamente para não ter efeitos sobre sua frota, logo continuaria operando normalmente. E numa eventual redução de slots, a Azul tem como estratégia voar para rotas em que não há sobreposição com as concorrentes Gol e Latam. Tanto é que não houve efeito nas ações da Azul nesta segunda”, diz o analista da Ágora.
Ainda que não veja impacto direto, a AZUL4 caiu 2,36% ontem, negociada a R$ 13,64. Para o analista da Ágora, contudo, a queda não se relaciona à notícia da Gol, mas sim ao fato de que a sessão de ontem não teve o principal referencial global já que as bolsas em Nova York não negociaram por conta do feriado de Martin Luther King.
“Isso por si só já é uma boa justificativa para que o investidor, em geral, tenha menor apetite ao risco, tanto é que o volume de negócios foi bem menor do que a média diária. O setor aéreo é um setor volátil, então é natural que sofra com o menor volume de negócios”, afirma Lourenço.
O que poderia impactar a Azul?
Fatores ligados à economia e à geopolítica podem ter mais peso sobre as ações AZUL4 na visão dos analistas. Lourenço valia que a companhia não tem grandes gatilhos de curto prazo e o que pode beneficiar os papéis é a recuperação de rentabilidade ao longo do tempo, uma vez que a companhia já reestruturou sua dívida. De modo contrário, as tensões geopolíticas no Oriente Médio, e eventuais efeitos de alta nos preços dos combustíveis poderiam trazer algum prejuízo. “O querosene de aviação é um dos principais custos para as aéreas”, explica Lourenço.
Daronco aposta que, se o mercado doméstico caminhar bem, a empresa terá impulso nas vendas e nas receitas. E se houver um maior controle dos custos de combustíveis, a Azul conseguiria recuperar margens.
Ganhos com infraestrutura nacional
Também ontem, o BTG Pactual divulgou relatório com perspectivas positivas para a Azul. O banco avalia que as notícias sobre os planos do governo federal para a indústria aeroportuária no Brasil em 2024, incluindo a construção de até 120 aeroportos regionais pela (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) e por empresas privadas, é um fator positivo para a companhia.
“A Corporação América poderá demonstrar mais interesse em desenvolver aeroportos menores, especialmente depois de receber reembolso para o aeroporto São Gonçalo do Amarante (ASGA), em Natal (RN)”, aponta o relatório. “Entre as companhias aéreas, acreditamos que o crescimento da infraestrutura aeroportuária regional é um impulsionador de volume positivo para a Azul”, escrevem Lucas Marquiori e Fernanda Recchia.