Mercado acompanha agenda econômica no Brasil e no exterior, com destaque para o Boletim Focus. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje inicia a semana sob forte pressão, refletindo a escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada dos preços do petróleo, que ampliam a aversão ao risco nos mercados financeiros globais. Apesar do cenário geopolítico dominar o humor dos investidores, a agenda econômica também reserva indicadores relevantes, como dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos, além do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano do quarto trimestre de 2025 (4T25) e do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE). Às 14h, o índice da B3 sobe 0,14%, aos 179.616 pontos.
Nesta segunda-feira (9), o calendário é mais fraco e traz apenas a divulgação do Boletim Focus, que reflete as expectativas do mercado na primeira semana marcada pela guerra e pela turbulência global.
Resultado do Focus: expectativa da Selic muda
A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 permaneceu em 3,91%, nível 0,91 ponto porcentual acima do centro da meta de inflação, de 3%. Há um mês, a projeção era de 3,97%. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana oscilou de 3,91% para 3,92%. Para 2027, a expectativa subiu levemente de 3,79% para 3,80%, enquanto, entre as 42 projeções mais recentes, avançou de 3,74% para 3,81%. O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, abaixo da última mediana do Focus, de 4,31%, e da projeção do Banco Central, de 4,4%.
Conforme a trajetória divulgada pelo Copomem janeiro, o BC projeta inflação de 3,4% ao fim de 2026 e de 3,2% no horizonte relevante, atualmente no terceiro trimestre de 2027.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses, tendo centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo; caso a inflação permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. No Focus divulgado hoje (9), a projeção para o IPCA de 2028 permaneceu em 3,50% pela 18ª semana seguida, e a de 2029 também ficou em 3,50%, pela 27ª semana consecutiva.
Em relação aos juros, a mediana do Focus para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.
Em janeiro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% pela quinta reunião seguida, mas indicou que pode iniciar o processo de cortes na próxima reunião, em março. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou na ata.
Já para o câmbio, a mediana das projeções para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,42 para R$ 5,41, ante R$ 5,50 há um mês, enquanto a estimativa para 2027 permaneceu em R$ 5,50 pela quinta semana seguida. A moeda americana encerrou 2025 a R$ 5,4840, acumulando queda de 11,18% frente ao real, movimento associado ao enfraquecimento global do dólar e à atratividade do carry trade (mecanismo utilizado para tentar obter lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países) diante da Selic em nível elevado.
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Para 2028 e 2029, as medianas também permaneceram em R$ 5,50, pela quarta e pela primeira semana consecutiva, respectivamente. No Focus, a projeção anual de câmbio considera a média da taxa ao longo de dezembro, e não a cotação do último dia útil do ano, como ocorria até 2020.
No campo corporativo, estão previstos os balanços de Cosan (CSAN3) e Direcional (DIRR3) – a MRV (MRVE3) anunciou os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta manhã. Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe hoje o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, para uma visita de Estado.
A forte alta do petróleo no mercado internacional domina o ambiente de aversão ao risco. Os contratos futuros da commodity chegaram a disparar cerca de 30% durante a madrugada e se aproximaram de US$ 120 por barril, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio. A escolha de Mojtaba Khamenei para suceder ao pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã ampliou as preocupações geopolíticas – ele é visto como representante da ala mais rígida do regime.
Por volta das 13h30, os contratos futuros do WTI para abril sobem 3,95%, para US$ 95,42 por barril, enquanto o Brent avançava 7,36%, para US$ 99,94. Relatos de que ministros das Finanças do G7 discutem uma reunião emergencial para avaliar a liberação de reservas estratégicas ajudaram a moderar a alta, embora os preços ainda registrem forte avanço.
Em meio à escalada da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em redes sociais que a disparada do petróleo no curto prazo é um preço “muito pequeno” a pagar tanto para seu país quanto para o mundo em nome da segurança e da paz.
“Só tolos pensariam diferente”, escreveu Trump, acrescentando que os preços devem cair rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada.
Destaques do Ibovespa hoje
No Brasil, o clima externo negativo tende a pressionar os ativos domésticos. Às 13h30, o EWZ, principal ETF (fundo de índice negociado em bolsa) brasileiro negociado em Nova York, registrava crescimento de 0,61%.
Entre as empresas brasileiras negociadas no exterior, no mesmo horário as American Depositary Receipts (ADRs, recibos que permitem comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale (VALE3) recuavam 0,90%, apesar da alta do minério de ferro, enquanto os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) avançavam 4,46% e 4,32% impulsionados pelo salto do petróleo, movimento que pode limitar as perdas da Bolsa brasileira.
No campo macroeconômico, os próximos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos devem ajudar a recalibrar as expectativas para a política monetária. No mercado doméstico, cresce a aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic ainda neste mês, para 14,75%. Já nos EUA, investidores avaliam a possibilidade de retomada do ciclo de cortes de juros a partir de junho, após a divulgação de um relatório de emprego (payroll) mais fraco.
Mercados globais
Em Wall Street, os índices operam em queda nesta segunda-feira (9), indicando que as bolsas norte-americanas devem ampliar as perdas da semana passada diante do salto do petróleo e do aumento das tensões geopolíticas. Às 13h30 o Dow Jones caía 0,65%, o S&P 500 recuava 0,23% e o Nasdaq tinha alta de 0,16%.
Na Europa, os principais mercados acionários também registram forte baixa, pressionados pelo avanço da commodity e pelos temores de impacto sobre inflação e crescimento econômico, além de dados mais fracos que o esperado para a indústria alemã. Às 13h30, a Bolsa de Londres caía 0,34%, a de Paris recuava 0,87% e a de Frankfurt cedia 0,65%.
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Os rendimentos dos Treasuries(títulos públicos dos EUA) sobem, ampliando ganhos durante quase toda a semana passada, por conta da nova disparada do petróleo decorrente do acirramento da guerra no Oriente Médio. Às 13h30, o juro da T-note de 2 anos subia a 3,579%, o da T-note de 10 anos caía a 4,124% e o do T-bond de 30 anos recuava a 4,742%.
Dólar avança no mercado internacional
O dólar sobe ante outras moedas de economias desenvolvidas com busca de proteção devido ao salto do petróleo e sinais de agravamento da guerra entre EUA, Israel e Irã. Dados fracos da indústria alemã pesam contra o euro. Às 13h30, o euro caía a US$ 1,159, a libra recuava a US$ 1,339 e o dólar avançava a 158,34 ienes. Já o índice DXY do dólar (que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes) tinha alta de 0,06%, a 99,049 pontos.
Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão em forte queda. A Bolsa de Tóquio recuou 5,2%, enquanto o índice Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,96% e o Taiex, de Taiwan, perdeu 4,43%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 1,35%. Já na China continental, os índices de Xangai e Shenzhen registraram quedas mais moderadas, de 0,67%.
Na Oceania, o S&P/ASX 200, da Austrália, terminou o dia em baixa de 2,85%.