Foi também o sétimo ganho consecutivo para o índice da B3, e o maior desde 31 de março, quando havia encerrado o mês com alta de 2,71% naquela sessão. É a maior série de avanços para o Ibovespa desde as 15 sessões entre 22 de outubro e 11 de novembro passado. Na semana, o Ibovespa avança 2,21% e, em abril, sustenta ganho de 2,53% no agregado de cinco sessões. No ano, sobe 19,29%
O dólar hoje fechou em forte queda nesta quarta-feira (8) com o alívio global do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã por duas semanas. A moeda terminou o dia em queda de 1,1% sobre o real, a R$ 5,1029 na venda, menor cotação desde maio de 2024. O desempenho acompanhou o petróleo.
O enfraquecimento da moeda americana favoreceu moedas emergentes de forma ampla, com o real se destacando pela combinação de fluxo para a Bolsa e manutenção de diferencial de juros real elevado frente aos pares. O câmbio operou próximo das mínimas recentes ao longo de toda a sessão, em movimento direcional marcado pelo encerramento de posições defensivas e realocação para ativos de risco.
Na Bolsa, quase a totalidade dos papéis do principal índice registraram alta na sessão, com avanço disseminado entre setores, aponta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. O principal vetor foi o recuo acentuado da curva de juros local, puxado pela queda do petróleo e pela melhora do cenário externo.
Ações domésticas sensíveis a juros lideraram os ganhos: varejo, construção e educação foram os destaques. Bancos acompanharam a melhora das condições financeiras e Vale avançou sustentada por fluxo, mesmo com o minério em queda no exterior. A exceção foi o setor de petróleo — Petrobras recuou de forma significativa com o colapso da commodity —, mas sem contaminar o movimento do índice, que refletiu rotação clara para ativos domésticos, encerrando próximo das máximas do dia.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse durante o dia que são falsas as informações de que o estreito de Ormuz não estaria aberto, já que esse foi um ponto contemplado na aceitação do cessar-fogo pelo governo americano. “Ormuz está aberto”, afirmou a representante em coletiva nesta quarta-feira. O alívio geopolítico impulsionou ativos de risco.
E lá fora?
No exterior, ante a distensão geopolítica, tanto o Brent como o WTI voltaram a ser negociados bem abaixo do limiar psicológico de US$ 100 por barril, neste meio de semana, acompanhando a expectativa pela reabertura do Estreito de Ormuz, essencial para a recuperação da oferta produzida na região do Golfo. O alívio com a trégua mediada pelo Paquistão reduz de forma abrupta os temores de oferta e sustentou o apetite por risco. O petróleo despencou 15%.
Os índices em Nova York subiram com força, ainda repercutindo o acordo. O Dow Jones fechou em 2,85%, o S&P 500 avançou 2,52% e o Nasdaq ganhou 2,80%.
No começo da tarde, os contratos futuros de petróleo pouco reagiram à notícia de que o tráfego de petroleiros pelo estreito foi completamente interrompido, segundo a agência iraniana Fars, após Israel violar termos do cessar-fogo e atacar o Líbano. Dessa forma, o petróleo WTI para maio, negociado em Nova York, fechou em queda de 16,4% (US$ 18,54), a US$ 94,41 o barril, no menor nível desde 25 de março. Já o Brent para junho, em Londres, encerrou em baixa de 13,3% (US$ 14,52), a US$ 94,75 por barril, no menor nível desde 11 de março. Foram as maiores quedas em porcentual para ambas as referências desde abril de 2020, na pandemia de covid-19.
“Para abril, a trajetória dos preços do petróleo seguirá como principal variável de monitoramento”, observa em nota Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management. “Em um cenário de arrefecimento das tensões geopolíticas, vislumbramos espaço relevante para descompressão dos ativos locais”, acrescenta.
Os mercados hoje
No mercado de renda fixa, os juros dos Treasuries e de títulos soberanos europeus subiram. A agenda americana incluiu um leilão de US$ 39 bilhões em T-notes de 10 anos. O rendimento da T-note de 2 anos subiu 0,08%, a de 10 anos avançava 0,31% e o do T-bond de 30 anos avançava 0,28%.
Já as Bolsas europeias encerraram em alta, com investidores reagindo a dados de vendas no varejo, inflação ao produtor na zona do euro e encomendas industriais da Alemanha.
Na Ásia, as Bolsas dispararam, impulsionadas pela queda do petróleo após o anúncio da trégua e da reabertura do Estreito de Ormuz. O Kospi, na Coreia do Sul, liderou os ganhos com alta de 6,87%, seguido pelo Nikkei, do Japão, que subiu 5,39%. O Taiex avançou 4,61% em Taiwan, enquanto o Hang Seng subiu 3,09% em Hong Kong. Na China continental, o índice de Xangai ganhou 2,69% e o Shenzhen avançou 4,35%. Na Oceania, o S&P/ASX 200, da Austrália, subiu 2,55%.
Agenda de quarta-feira (8)
Investidores monitoraram a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) e discursos de dois diretores da instituição. A ata do último encontro do Fed, divulgada na tarde desta quarta-feira, revelou que os participantes avaliaram que as implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia são incertas. Mesmo com a incerteza, termo repetido em diversos trechos do documento, a ata ressaltou que o comitê de política monetária do Fed segue atento aos riscos para ambos os lados do mandato do Fed.
No Brasil, o dia foi marcado por falas de integrantes do Banco Central: o diretor de Política Monetária, Nilton David, no Fórum de Investimentos do Bradesco BBI, e o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, em reunião da CPI do crime organizado.
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu entrevista ao ICL Notícias, enquanto o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, participou de um Congresso Estadual de Municípios, em São Paulo.