

O Ibovespa hoje despencou acompanhando o maior pessimismo nos mercados globais. O principal índice da B3 encerrou esta sexta-feira (4) em queda de 2,96% aos 127.256 pontos, na sua pior performance diária desde 18 de dezembro de 2024, de acordo com dados de Einar Rivero, CEO e sócio-fundador da Elos Ayta Consultoria. Ao longo do dia, o Ibov chegou a oscilar entre máxima a 131.139,05 pontos e mínima a 126.465,55 pontos. O volume negociado foi de R$ 31,8 bilhões. Apenas 3 ações fecharam em alta.
O tombo desta sessão representou a 13ª maior queda diária do Ibovespa nos últimos quatro anos. Apesar do forte ajuste, o índice ainda sustenta uma valorização de 5,8% no acumulado de 2025. Já no recorte dos últimos 12 meses, sofre uma leve desvalorização de 0,12%.
Marcleo Farias, head de renda variável da Onfield Investimentos, destaca que o dia foi marcado por uma forte aversão ao risco, em resposta ao anúncio da China de novas tarifas sobre produtos americanos, medida que retomou o clima de guerra comercial e pressionou os mercados globais. “O investidor volta a precificar um cenário mais desafiador para o crescimento global, o que afeta diretamente a alocação em ativos de risco, especialmente em países emergentes como o Brasil”, afirma.
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Depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa recíproca de 34% para a China, além dos 20% previamente anunciados, o país asiático divulgou uma série de medidas retaliatórias contra os EUA, entre elas uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados do território americano. As taxas chinesas entram em vigor no próximo dia 10, segundo comunicado da Comissão Tarifária do Conselho Estatal.
Separadamente, o Ministério do Comércio da China disse que adicionou 11 empresas americanas à sua lista de “entidades não confiáveis”, impedindo-as de fazer negócios na China ou com empresas chinesas.
O resultado desse movimento foi uma saída generalizada da Bolsa e uma corrida para o dólar como ativo de proteção. A moeda americana encerrou esta sexta-feira em baixa de 3,68% a R$ 5,835. “Acredito que a alta do dólar está diretamente ligada à intensificação da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Em cenários como esse, o mercado busca proteção em ativos considerados mais seguros — e o dólar costuma ser a principal escolha. Isso aumenta a demanda pela moeda americana e, consequentemente, valoriza seu preço frente a outras moedas, como o real”, diz Christian Iarussi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital.
Na B3, ações de petroleiras foram as mais afetadas, com Brava Energia (BRAV3) despencando quase 13%. “As principais quedas ficaram com empresas do setor de petróleo, como Prio (PRIO3), Petrorecôncavo (RECV3) e Brava. O recuo ocorre devido à forte queda no preço do petróleo, reflexo do medo de uma desaceleração global após a retaliação comercial entre China e EUA, o que reduz a demanda por commodities”, explica Iarussi.
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Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq caíram 5,97%, 5,5% e 5,82%, respectivamente. Os índices aprofundaram as perdas durante o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que sinalizou expectativas de alta da inflação no curto prazo em razão das tarifas anunciadas por Trump. Powell afirmou que “é incerto dizer qual é a trajetória correta para a política monetária” e reiterou que o Fed tem tempo e que “não precisa ter pressa” antes de decidir por novos cortes de juros.
No dia agitado, investidores também monitoraram o payroll (relatório oficial de emprego dos EUA). A economia americana criou 228 mil empregos em março, em termos líquidos, segundo relatório publicado pelo Departamento do Trabalho do país. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam criação de 90 mil a 180 mil vagas, com mediana de 140 mil.
“Uma leitura positiva de dados de emprego, com o payroll mostrando um mercado de trabalho saudável antes dos efeitos das tarifas, não foi suficiente para dissipar o sentimento negativo, já que o mercado seguirá focado nos próximos desdobramentos da guerra tarifária. A volatilidade deve continuar e o momento é de foco em ativos menos voláteis e de proteção, como setores mais resilientes e reservas de valor”, avalia Paula Zogbi, gerente de research da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Carrefour (CRFB3), Minerva (BEEF3) e Klabin (KLBN11).
Carrefour (CRFB3): 10,77%, R$ 8,23
As ações do Carrefour (CRFB3) lideraram os ganhos do Ibovespa hoje, disparando 10,77% a R$ 8,23. Segundo analistas ouvidos pelo E-Investidor nesta matéria, a disparada aconteceu após a empresa elevar o valor a ser pago por ação para sair da B3 (B3SA3).
A CRFB3 está em alta de 13,52% no mês. No ano, acumula uma valorização de 51,57%.
Minerva (BEEF3): 0,15%, R$ 6,47
Quem também se saiu bem foi a Minerva (BEEF3), que subiu 0,15% a R$ 6,47. Ao Broadcast, o analista da Levate Corp, João Abdouni, explicou que as companhias do setor de frigoríficos se beneficiam da retaliação chinesa, que pode facilitar a concorrência para a carne brasileira.
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A BEEF3 está em alta de 2,37% no mês. No ano, acumula uma valorização de 27,11%.
Klabin (KLBN11): 0,05%, R$ 18,55
Outro destaque positivo foi a Klabin (KLBN11), que avançou 0,05% a R$ 18,55.
A KLBN11 está em baixa de 0,59% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 19,87%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Brava Energia (BRAV3), Vamos (VAMO3) e Petrorecôncavo (RECV3).
Brava Energia (BRAV3): -12,92%, R$ 18,34
As ações da Brava Energia (BRAV3) registraram a principal queda do Ibovespa hoje, recuando 12,92% a R$ 18,34. Os papéis da empresa foram pressionados pela queda dos contratos futuros de petróleo.
A BRAV3 está em baixa de 20,61% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 22,02%.
Vamos (VAMO3): -9,92%, R$ 4,36
Entre as maiores baixas, também estiveram as ações da Vamos (VAMO3), que cederam 9,92% a R$ 4,36. Ao Broadcast, Fábio Lemos, sócio da Fatorial Invest, explicou que o corte do preço-alvo do JPMorgan para a ação de R$ 10 para R$ 8,50 pressionou o ativo.
A VAMO3 está em baixa de 0,68% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 8,21%.
Petrorecôncavo (RECV3): -8,6%, R$ 14,35
Na lista de principais quedas do Ibovespa hoje, também estiveram as ações da Petrorecôncavo (RECV3), que derreteram 8,6% a R$ 14,35, em meio à queda do petróleo.
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A RECV3 está em baixa de 12,98% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 11,47%.
*Com Estadão Conteúdo