Apesar da desvalorização do índice, o dia foi de alta para as principais commodities. O petróleo Brent avançou 1,29%, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que ordenou o bloqueio total de todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) acompanharam o movimento e subiram 0,68% e 1,11% nos papéis ordinários e preferenciais, respectivamente.
O minério de ferro, por sua vez, fechou em alta de 1,25% em Dalian, na China, a US$ 109,05 por tonelada, o que beneficiou os papéis da Vale (VALE3), que avançaram 1,27%.
Investidores monitoraram ainda discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Enquanto isso, as bolsas de Nova York mostraram sinais negativos.
Além disso, o vencimento de opções sobre o Ibovespa e eventuais ruídos eleitorais — em meio à repercussão da pesquisa Genial/Quaest divulgada na véspera — impuseram volatilidade ao mercado, em um dia de agenda esvaziada de indicadores no Brasil e no exterior. No cenário internacional, além das falas de membros do Fed, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um discurso à nação à noite às 23h.
No câmbio, o dólar hoje avançou ante pares principais e ante o real. No mercado doméstico, a moeda americana subiu 1,1% cotada a R$ 5,5233, maior valor de encerramento desde o dia 1º de agosto, então a R$ 5,5456.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (17)
Bolsas de NY caem, enquanto as da Europa ficam mistas
Os índices de Nova York fecharam em queda. Nasdaq e S&P 500 recuaram 1,81% e 1,16%, respectivamente, enquanto o Dow Jones cedeu 0,47%.
As bolsas da Europa fecharam sem direção única, enquanto os investidores se mantiveram em compasso de espera para a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE, em inglês), que acontecerão durante a manhã de quinta-feira (18).
Os ganhos foram liderados pela Bolsa de Londres, cujo índice FTSE 100 fechou em alta de 0,92%, aos 9.774,32 pontos, depois de a leitura da inflação ao consumidor (CPI, em inglês) reforçar a expectativa de flexibilização monetária britânica. Em Frankfurt, o DAX cedeu 0,50%, a 23.955,71 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,25%, a 8.086,05 pontos. Em Milão, o FTSE MIB subiu 0,25%, a 44.099,48 pontos. Em Madri, o Ibex 35 ganhou 0,08%, a 16.935,50 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 registrou alta de 0,10%, a 8.070,37 pontos.
O CPI da zona do euro ficou em 2,1% em novembro, mesma variação de outubro, abaixo da previsão de analistas (2,2%). Na Alemanha, o índice de sentimento das empresas caiu a 87,6 pontos em dezembro, ante 88,1 pontos em novembro, segundo pesquisa Ifo, abaixo do esperado (89,9).
Lula lidera todos os cenários eleitorais para 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno e venceria todos os adversários no segundo turno se as eleições de 2026 fossem agora, aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (16). Este é o primeiro levantamento do instituto após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se lançar como pré-candidato à Presidência.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi testado em todos os cenários de primeiro turno, já que vem dizendo que a única possibilidade de retirar sua candidatura é se seu pai for candidato. Bolsonaro está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado.
Nos cenários espontâneos, Lula tem 20% das intenções de voto. Jair Bolsonaro tem 5% das intenções de voto. Flávio tem os mesmos 5%. Outros 65% se dizem indecisos.
A pesquisa ainda avaliou a aprovação do governo Lula, mostrando que 48% dos brasileiros aprovam e 49% desaprovam. O cenário é praticamente de estabilidade em relação ao mês passado, quando Lula era aprovado por 47% dos entrevistados e desaprovado por 50%.
O que mais repercutiu no Ibovespa hoje
Em véspera de votação do Orçamento de 2026, o mercado repercutiu a aprovação na Câmara, por 310 votos a 85, do projeto de lei que reduz benefícios fiscais em 10% e inclui a “taxação BBB” (bancos, bets e bilionários), uma vitória para o governo Lula.
A taxação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) aumentará, além de ajustes fiscais para fintechs e apostas. O projeto segue para o Senado. O presidente Lula cobrou da França e Itália pela assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Disse esperar que eles tenham a “responsabilidade” de assinar o acordo no próximo sábado (20). Também disse que o Brasil vem retomando aos poucos as negociações com Trump em torno do tarifaço.
Agenda econômica do dia
No Brasil, o mercado monitorou o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que desacelerou a 0,14% na segunda prévia de dezembro, após ter subido 0,32% na mesma leitura de novembro.
Nos Estados Unidos, o diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller defendeu que não há nada de errado em haver interações entre o banco central americano e o governo, ao participar de rodada de perguntas e respostas no Summit de CEOs da Unidade de Yale nesta quarta-feira. Ele, que disputa a cadeira da presidência do Fed, ressaltou a importância da transparência com o público.
“As pessoas esquecem que o Fed é independente, mas temos que ser responsáveis perante o público, temos que ser transparentes”, afirmou, ao ressaltar que Trump “deixou claro” sua opinião sobre o atual nível das taxas de juros.
Já o presidente do Fed de Nova York, John Williams, não comentou política monetária ou perspectivas econômicas, em discurso preparado para a abertura de evento institucional nesta quarta-feira.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Maria Regina Silva, Gabriel Hirabahasi, Gabriel de Sousa, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast