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Mercado

Ibovespa renova recorde pela 15ª vez no ano com petróleo em alta; dólar recua ao menor valor desde abril de 2024

Avanço de 2,8% da Petrobras impulsionou o índice da B3 para o segundo dia seguido em máxima histórica

Por Isabela Ortiz e  Ana Ayub 

09/04/2026 | 7:55 Atualização: 09/04/2026 | 18:16

Mercado financeiro reagiu com forte alta ao anúncio de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz, levando o índice à sua maior pontuação de fechamento da história. (Imagem: Adobe Stock)
Mercado financeiro reagiu com forte alta ao anúncio de cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz, levando o índice à sua maior pontuação de fechamento da história. (Imagem: Adobe Stock)

A valorização do petróleo impulsionou o Ibovespa hoje, que renovou sua máxima histórica pela 15ª vez no ano e fechou em linha com as bolsas em Nova York. O índice da B3 registrou alta de 1,52%, aos 195.129,25 pontos.

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Após tombar ontem até 16%, o petróleo retomou alta, chegou a superar a marca de US$ 100 o barril, mas perdeu fôlego. O WTI subiu 3,66%, a US$ 97,87, enquanto o Brent avançou 1,23% e terminou cotado a US$ 95,92, refletindo incertezas em relação ao cessar-fogo nos conflitos entre Estados Unidos e Irã. A alta do petróleo impulsionou as ações da Petrobras, que contribuíram para os ganhos do Ibovespa.

O dólar encerrou com queda de 0,77%, a R$ 5,06, após ter recuado na véspera para R$ 5,10, e se foi ao menor nível menor valor desde 9 de abril de 2024. Depois de alta de 0,87% em março, a divisa já recua 2,22% nos primeiros seis pregões de abril. No ano, a moeda americana acumula agora desvalorização de 7,75% em relação ao real.

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O avanço do petróleo ocorre após Israel abalar a tentativa de trégua ao atacar o Líbano e causar ao menos 200 mortes. Em resposta, o Irã impôs novas restrições no Estreito de Ormuz, reforçando preocupações com a inflação e com a política monetária global. Neste ambiente, após o rali da véspera, as bolsas norte-americanas, que operavam em queda pela manhã, inverteram o sinal.

“A carteira do Ibovespa inclui Petrobras, que subiu mais de 2,8% e pesou bastante no desempenho do índice”, diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. Apesar do avanço do Ibovespa, não se pode descartar a volatilidade, completa. “Essa palavra conduz o dia. O mercado no exterior está com o pé atrás, em meio a um cessar-fogo frágil”, completa. A Petrobras (PETR4).

A principal dúvida sobre o cessar-fogo é se o Líbano está incluído na trégua. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (9) que “navios, aeronaves e pessoal militar permanecerão ao redor do Irã” até que um “acordo real” seja alcançado e cumprido.

Já o Paquistão informou que o Irã confirmou participação em conversas com os EUA em Islamabad, no fim da semana. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, disse que a alta da energia após a disparada do petróleo deve aparecer no CPI de sexta-feira (10), mas com efeito pontual.

Indicadores

A agenda internacional trouxe como destaques o Produto Interno Bruto (PIB) e o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos.

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O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos passou por três revisões consecutivas e acabou vindo abaixo das expectativas do mercado, após iniciar com um resultado mais forte e perder fôlego nas divulgações seguintes; segundo avaliação de Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, a deterioração foi puxada por ajustes em componentes como o consumo, que mostraram desempenho mais fraco ao se analisar os dados em maior detalhe.

A inflação nos EUA seguiu acima da meta, com o núcleo do PCE avançando 0,4% em fevereiro e atingindo 3% em 12 meses, enquanto sinais de desaceleração começam a aparecer na atividade, como o consumo mais fraco e a revisão para baixo do PIB do quarto trimestre de 2025; segundo Brad Smith, gerente de portfólio da Janus Henderson, o cenário combina pressão inflacionária, em parte ligada a tarifas, com perda de fôlego da economia, levando o mercado a voltar suas atenções para o CPI de março e para os desdobramentos geopolíticos, especialmente ligados ao Oriente Médio.

No Brasil, o mercado acompanhou a premiação anual do Banco Central, o Ranking Top 5 2025, em São Paulo, com a participação do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, e diretores, além da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com sete ministros para definir o envio ao Congresso, em regime de urgência, do projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6×1.

E nos mercados?

Os índices de Nova York e as Bolsas europeias subiram, após a forte recuperação de Wall Street na véspera, refletindo a fragilidade do cessar-fogo e a nova alta do petróleo durante a madrugada, além do impacto da queda da produção industrial na Alemanha.

O Dow Jones fechou em alta de 0,58%, o S&P 500 avançava 0,62% e o Nasdaq tinha alta de 0,83%. No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries fecharam próximos da estabilidade, após as perdas de ontem, em meio à postura mais defensiva dos investidores.

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Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, pressionadas pelo avanço do petróleo e pelo aumento das tensões geopolíticas, diante da fragilidade da trégua, da manutenção do Estreito de Ormuz fechado e dos novos ataques de Israel ao Líbano.

O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 1,61%, o Nikkei, do Japão, recuou 0,73%, o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,54%, enquanto o Xangai Composto caiu 0,72% e o Shenzhen Composto cedeu 0,61%. Na contramão, o Taiex, de Taiwan, subiu 0,29%, e o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,24%.

Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet

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