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Mercado

Ibovespa hoje supera 161 mil pontos e bate novo recorde de fechamento; dólar cai

Otimismo nos mercados internacionais estimulou a Bolsa brasileira, junto com a valorização do minério de ferro e alta da Vale

Por Igor Markevich, Camilly Rosaboni e Beatriz Rocha

02/12/2025 | 4:30 Atualização: 02/12/2025 | 18:32

Ibovespa hoje oscila entre cautela e busca por direção com produção industrial no Brasil, CPI preliminar da zona do euro e fala de Michelle Bowman no Congresso dos EUA. Veja a agenda completa e o que pode mexer com o mercado. (Imagem: Adobe Stock)
Ibovespa hoje oscila entre cautela e busca por direção com produção industrial no Brasil, CPI preliminar da zona do euro e fala de Michelle Bowman no Congresso dos EUA. Veja a agenda completa e o que pode mexer com o mercado. (Imagem: Adobe Stock)

O Ibovespa hoje superou o nível dos 161 mil pontos pela primeira vez na sua história. Nesta terça-feira (2), o índice avançou 1,56% aos 161.092,25 pontos. As atenções do mercado estiveram na produção industrial brasileira, na avaliação do governo Lula e no Vale Day em Londres.

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Os investidores repercutiram a pesquisa Atlas/Intel, divulgada hoje, mostrando que a desaprovação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a superar a aprovação. Mesmo assim, o petista ainda superaria adversários no 2º turno.

“O governo vinha ganhando terreno e agora uma reeleição pode ficar um pouco mais incerta”, diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, sugerindo que o mercado é favorável a uma mudança presidencial que foque em melhoria do quadro fiscal.

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Nesta tarde, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que o presidente Lula telefonou às 12h (de Brasília) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Numa chamada que durou 40 minutos, ambos trataram de temas da agenda comercial, econômica e de combate ao crime organizado.

Lula indicou ter sido muito positiva a decisão dos EUA de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas. Destacou que ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações.

O presidente Lula também ressaltou a urgência em reforçar a cooperação com os EUA para combater o crime organizado internacional. Já Trump sinalizou disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os países para enfrentar organizações criminosas. Os dois presidentes concordaram em voltar a conversar em breve sobre o andamento dessas iniciativas.

O tom de otimismo nos índices de ações de Nova York nesta tarde também estimulou o principal índice da B3 hoje. A valorização de 0,50% do minério de ferro na China foi outro fator que impulsionou o indicador, apesar do recuo de 0,51% do petróleo Brent no exterior. A Vale (VALE3) subiu 0,82%, cotada a R$ 68,48. A A Petrobras avançou 0,69% (PETR4), a R$ 32,07, e 0,54% (PETR3), a R$ 33,77.

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Nesta reta final do ano, investidores ainda mantêm concentração na política monetária brasileira e americana, em meio a decisões sobre juros neste mês. Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) estão no período de silêncio que precede sua próxima decisão de juros, marcada para quarta-feira (10), no mesmo dia da definição do Comitê de Política Monetária (Copom).

Aqui, o mercado se debruçou nesta terça na Pesquisa Industrial, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção industrial cresceu 0,1% em outubro ante setembro, ficando abaixo da mediana de alta de 0,3%. Na comparação com outubro de 2024, subiu 0,8%, acima da mediana de 0,2%.

No câmbio, o dólar hoje recuou ligeiramente ante moedas fortes. Em relação ao real, a divisa americana fechou em queda de 0,54% a R$ 5,3303. 

Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta terça-feira (2)

Bolsas de NY sobem com expectativas por corte de juros nos EUA

Os mercados internacionais operaram sem direção única nesta terça-feira, com foco no quadro geopolítico. Investidores aguardam o encontro do enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, com o presidente russo Vladimir Putin para discutir propostas para encerrar a guerra na Ucrânia.

As bolsas europeias fecharam com sinais mistos. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,01%, a 9.701,80 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,51%, a 23.709,87 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,28%, a 8.074,61 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,22%, a 43.354,83 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,4%, a 16.454,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 1,27%, a 8.210,02 pontos.

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Os índices de Nova York avançaram com expectativas de corte de juros pelo Fed. As apostas do CME Group seguem indicando chance firme de corte de 25 pontos-base neste fim de ano.

Vale Day agrada investidores

A Vale (VALE3) realizou nesta terça-feira (2) o Vale Day, um dos eventos mais importantes do calendário anual da companhia. Na ocasião, a empresa explicou detalhes das suas projeções para os próximos anos. A mineradora espera entregar em 2026 entre 335 milhões a 345 milhões de toneladas de minério de ferro. No fim de 2024, a expectativa para 2026 era de 340 milhões a 360 milhões de toneladas.

Já em 2030, a estimativa foi mantida em torno de 360 milhões de toneladas. Em 2025, a companhia deve fechar o ano com produção de 335 milhões de toneladas da principal matéria-prima do aço.

Os anúncios da empresa agradaram o mercado, principalmente no que se refere ao corte nas projeções de investimentos. A Vale informou que deve investir entre US$ 5,4 bilhões e US$ 5,7 bilhões em 2026, abaixo dos US$ 6,5 bilhões anteriormente previstos . “A projeção atualizada enfatiza o foco da nova administração na alocação de capital”, destacou o Itaú BBA.

Produção industrial cresce abaixo das projeções

Produção industrial deve subir em outubro, mostram as projeções. (Foto: Adobe Stock)

A produção industrial em outubro cresceu 0,1% frente a setembro, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a outubro de 2024, houve recuo de 0,5%. O acumulado no ano foi de 0,8% e o dos últimos 12 meses chegou a 0,9%.

O resultado veio abaixo da mediana das estimativas do mercado (0,3%). As projeções para esta leitura variavam de recuo de 0,1% a expansão de 1,5%.

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Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os dados da PIM de outubro reforçam a avaliação de que a indústria brasileira como um todo perdeu fôlego em 2025. “ Essa perda de força é reflexo dos juros altos, que reduzem o espaço para novos investimentos e limitam o crescimento da atividade econômica. Nossa expectativa é de que o PIB avance 2% em 2025 e 1,7% em 2026.”, avalia.

A economista espera que a taxa Selic se mantenha em 15% na última reunião do Copom, em 10 de dezembro. “Acreditamos que o ciclo de cortes começará apenas em março do ano que vem, com os juros terminando 2026 em 13%”, diz.

Desaprovação de Lula volta a superar aprovação

A desaprovação ao governo Lula voltou a superar a aprovação, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira. O levantamento mostra avanço da rejeição, de 48,1% para 50,7%, enquanto o índice positivo recuou de 51,2% para 48,6%. O movimento interrompe a trajetória de recuperação observada desde agosto e recoloca o governo em terreno mais sensível.

Nesse sentido, as avaliações de ótimo e bom caíram de 48% para 44,4%, enquanto as de ruim e péssimo subiram de 47,2% para 48,6%. De acordo com o instituto, a inversão ocorre em meio à dificuldade do governo em oferecer uma resposta convincente para a área de segurança pública, especialmente após a megaoperação no Rio de Janeiro.

Mesmo assim, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra que o presidente segue à frente em todos os cenários de primeiro turno testados para 2026, embora com margens menores em relação aos levantamentos anteriores. No cenário principal, Lula aparece com 48,4% das intenções de voto, contra 32,5% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os demais governadores de direita não chegam a 10%.

Agenda econômica do dia

Lá fora, o mercado acompanhou o depoimento da vice-presidente de Supervisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Michelle Bowman, no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes. Ela afirmou que o sistema bancário americano permanece sólido e resiliente, enquanto os bancos continuam a apresentar fortes índices de capital e reservas de liquidez significativas. Devido ao período de silêncio do Fed, Bowman não comentou política monetária em seu discurso.

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“A saúde geral do setor bancário é demonstrada pelo crescimento contínuo do crédito, pela redução dos empréstimos inadimplentes na maioria das categorias e pela forte rentabilidade”, destacou.

Ainda na agenda hoje, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin e o diretor de Regulação do Banco Central (BC), Gilneu Vivan, estiveram presentes em evento da indústria da construção.

O presidente Lula e a presidente da Petrobras (PETR3; PETR4), Magda Chambriard, participaram da cerimônia de aumento da capacidade de processamento da refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Ipojuca, Pernambuco.

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional deve votar o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.

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O Tesouro realizou leilão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B, títulos públicos com rendimento atrelado à inflação) e de Letra Financeira do Tesouro (LFT, título pós-fixado com rentabilidade atrelada à taxa de juros).

Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na Bolsa de Valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.

*Com informações de Gabriela Jucá, Anna Scabello, Daniel Tozzi, Silvana Rocha e Luciana Xavier, do Broadcast

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