Na última semana, o mercado se depecionou com o pacote de corte de gastos apresentado pelo governo. As medidas anunciadas pela equipe econômica não serão suficientes, na avaliação das corretoras e bancos de investimentos, para resolver o problema das contas públicas. “Assumimos que a maioria das cifras não atenderá a essas previsões, antecipando que, dos R$ 30,6 bilhões anunciados para 2025, os resultados provavelmente seriam reduzidos pela metade, na melhor das hipóteses”, informou o JP Morgan.
O banco também elevou a sua projeção da Selic terminal de 13% para 14,25% e ainda projeta aumento de 100 pontos-base na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para os dias 10 e 11 de dezembro. O discurso de Gabriel Galípolo, futuro presidente do Banco Central (BC), também reforçou essa possibilidade. Em evento do Esfera Brasil, no último dia 28, Galípolo enfatizou que o BC estava comprometido com a meta de inflação de 3%, mesmo em um cenário de desancoragem das expectativas inflacionárias.
As declarações podem sinalizar ao mercado de que os juros no Brasil podem alcançar patamares ainda mais elevados nos próximos meses. “Quando a Selic sobe, os fundos imobiliários perdem a sua atratividade. Então, é natural que as pessoas migrem os seus aportes para renda fixa já que os títulos prefixados estão pagando muito (com prêmios de até 14%)”, diz Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado da mesa proprietária Star Desk. Atualmente, a Selic – taxa básica de juros – está no patamar de 11,25% ao ano.