A falta de catalisadores limita o apetite ao risco e, às 13h40, o Ibovespa recuava 0,70%, aos 99.580 pontos. O giro financeiro projetado para a sessão é de R$ 19,9 bilhões, um pouco abaixo da média, sugerindo mesmo que grandes investidores querem maior clareza antes de rever seu posicionamento. No mesmo horário, o dólar recuava 0,20%, aos R$ 5,36.
Entre os poucos direcionadores para os negócios, o IPCA-15 começou a mostrar os primeiros efeitos da redução do ICMS, ao subir apenas 0,13% em julho, embora a maior parte desses efeitos só seja sentida no IPCA integral para o mês, a ser divulgado nos primeiros dias de agosto. Entre os efeitos, espera-se uma deflação significativa nos preços de combustíveis, tarifas de energia elétrica e preços de comunicações, reduzindo significativamente a inflação ao consumidor pelo menos nos próximos dois meses. No entanto, devemos nos atentar ao comportamento dos serviços, que ainda não deram sinais de abrandamento nos preços, bem como a inflação de alimentos, que voltou a acelerar.
De fato, todas as transferências adicionais para as famílias que o Governo está prestes a fazer no 2S22, somando R$ 41,2 bilhões adicionais na economia, que devem ser convertidos principalmente em consumo, podem esticar ainda mais a demanda, pressionando mais a inflação. Diante disso, no mercado de juros, essa leitura do IPCA-15 de julho causa a devolução de prêmios e ajustes nas expectativas futuras de inflação, o que deve dar algum fôlego nos próximos dias à nomes mais ligados aos movimentos na curva à termo, como varejo e tecnologia, por exemplo.
Olhando a bolsa sob uma perspectiva mais granular, as ações de empresas ligadas à commodities, que abriram em alta, inverteram sinal, com destaque negativo para Vale e setor siderúrgico, enquanto os papéis da JBS lideram os ganhos do Ibovespa, após revisões de estimativas no mercado e expectativas de bons resultados no 2T22.