Durante o fim de semana, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou ter recebido intimações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para depor em juízo, sob ameaça de acusação criminal.
Segundo Powell, o episódio faria parte de um conjunto de pressões e ameaças contínuas do governo relacionadas à condução da política monetária, em especial à definição da taxa básica de juros da maior economia do mundo.
Em contrapartida, o ex-presidente Donald Trump declarou não ter conhecimento de qualquer investigação em curso envolvendo o banco central norte-americano.
Nos demais mercados, o cenário é típico de maior aversão ao risco. O dólar perde valor frente a outras moedas fortes, enquanto os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida pública dos Estados Unidos, considerados os ativos mais seguros do mundo) recuam.
Ao mesmo tempo, os preços do ouro e da prata avançam para níveis recordes, sustentados pela busca por proteção em um ambiente de maior incerteza.
Entre as principais commodities, os contratos futuros do petróleo operam em leve queda, mesmo diante das tensões geopolíticas no Irã, onde os protestos se intensificaram nos últimos dias.
Já os preços futuros do minério de ferro avançaram 0,92% na madrugada desta segunda-feira, negociados a US$ 117,88 por tonelada na bolsa de Dalian, na China.
Esse ambiente internacional mais defensivo não parece favorável para o desempenho dos ativos brasileiros, ainda que haja fatores positivos no radar. Um deles é o acordo histórico entre o Mercosul (bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a União Europeia, concluído na última sexta-feira (9). A expectativa é de que o agronegócio brasileiro passe a contar com melhores condições tarifárias para acessar seu segundo maior destino comercial, segundo avaliação do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua.