O pano de fundo desse movimento parece ser o mesmo que tem orientado os fluxos recentes: dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos em Inteligência Artificial (IA) e uma rotação de recursos para outras geografias e setores. Em outras palavras, parte dos investidores tem reduzido exposição a empresas fortemente ligadas ao tema de IA, especialmente nos EUA, e redirecionado capital para mercados considerados relativamente mais descontados, como os europeus.
No câmbio, o dólar opera estável frente às principais moedas globais. No mercado de renda fixa, os rendimentos dos Treasuries recuam, sinalizando busca por proteção ou ajuste de expectativas para a política monetária americana. Já o ouro, tradicional ativo de segurança em momentos de incerteza, segue em trajetória de valorização e se aproxima do sétimo mês consecutivo de ganhos.
Entre as principais commodities, os contratos futuros do petróleo avançam, impulsionados pela expectativa em torno de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, prevista para a próxima semana. O mercado monitora possíveis desdobramentos sobre sanções e oferta global da commodity.
No minério de ferro, os contratos futuros negociados em Dalian, na China, subiram 0,27% durante a madrugada, para US$ 109,70 por tonelada. O movimento ocorre mesmo após a divulgação de que os estoques portuários chineses atingiram um recorde de 162,2 milhões de toneladas, acumulando o sexto mês consecutivo de alta, fator que, em tese, indicaria maior oferta disponível no curto prazo.
Caso confirmada, essa aceleração pode levar o mercado a revisar o chamado “orçamento” de queda da Selic. Isso tende a impactar especialmente os trechos mais longos da curva a termo, que representa as taxas de juros projetadas para diferentes prazos no futuro. Em geral, quando aumentam as dúvidas sobre o ritmo de cortes da Selic, os juros futuros de longo prazo sobem, refletindo maior prêmio de risco e expectativas de política monetária mais restritiva.