

As ações da Petrobras (PETR4) operam entre perdas e ganhos no pregão desta quinta-feira (18). Às 15h04, os papéis da companhia avançavam 0,08%, a R$ 38,63. A estabilidade do papel acontece após informações do Broadcast de que a companhia e o fundo Mubadala avançaram nas negociações sobre a refinaria de Mataripe na Bahia, mas ainda não fecharam um preço para a volta da estatal ao ativo de refino.
O provável hoje, apurou o Broadcast, é que a petroleira recompre integralmente o ativo, em linha com o desejo do governo federal e com a disposição da Acelen em vender a operação fóssil e entrar como sócia da estatal em um projeto greenfield (isto é, realizado a partir do zero, com planejamentos que existem somente no papel) de biorrefinaria. A due diligence (diligência prévia, na tradução livre) realizada pela Petrobras já foi finalizada, informaram as fontes.
Haveria uma possibilidade menor de a Acelen preservar participação pequena em Mataripe, próxima a 20%, para configurar um compromisso cruzado com a nova unidade de biorefino, focada na produção de diesel verde e combustível de aviação sustentável (SAF). Essa operação poderia usar o fruto da palmeira nativa brasileira macaúba, como já indicou a Acelen no passado.
Santander vê problemas com dividendos da Petrobras
Alguns dias antes de a notícia sair, o Santander reiterou a sua recomendação neutra para as ações ordinárias da Petrobras (PETR3). Em relatório divulgado no dia 16 de julho, o banco estabeleceu um preço-alvo para 2025 de R$ 43 para os papéis, representando uma potencial de valorização de 11,39% sobre o último fechamento.
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Uma das preocupações da casa está relacionada à distribuição de dividendos extraordinários da Petrobras. Na opinião dos especialistas, fatores que podem prejudicar a geração de Fluxo de Caixa Livre (FCF) da petroleira são potenciais fusões e aquisições, como a da refinaria na Bahia.
Na visão do banco, uma nova aquisição poderia reduzir os dividendos trimestrais mínimos da Petrobras (PETR3) conforme a fórmula do Fluxo de Caixa Livre (FCF). Eles ponderam, no entanto, que as melhorias da empresa nos procedimentos de governança nos últimos anos reduziram o risco de aprovação de investimentos de baixo retorno. Vale reforçar que o relatório do Santander saiu antes da notícia da possível compra da refinaria.
Vale a pena investir na Petrobras?
Analistas da Genial Investimentos possuem recomendação de manter para as ações da Petrobras (PETR4). Ou seja, o investidor não deve comprar nenhuma ação da companhia no momento, mas também não deve vender – o ideal é manter a ação da petroleira como está na carteira no momento.
O preço-alvo para o papel da Petrobras é de R$ 47 para o fim de 2024, uma potencial alta de 21,76% na comparação com o fechamento de quarta-feira (17), quando a ação fechou o pregão a R$ 38,60. A recomendação de manter acontece após os analistas notarem que a gasolina vendida pela Petrobras nas refinarias está 10,2% abaixo do preço ideal.
A petroleira está vendendo a gasolina a R$ 3,05 por litro, mas a corretora diz que, segundo o Preço de Paridade Internacional (PPI), a empresa deveria vender a gasolina a R$ 3,36 por litro, gerando o deságio estipulado pela corretora.
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Já no caso do diesel, a Genial diz que a Petrobras deveria vender o combustível a R$ 3,84. No entanto, a empresa do ramo de petróleo vende o combustível a R$ 3,68, um deságio de 4,5%. Os analistas lembram que a empresa reajustou o preço da gasolina em R$ 0,20 no começo da semana passada.
Os especialistas recordam que, apesar de ainda ser um deságio relevante, o fato de a empresa ajustar o preço do combustível indica que a Petrobras está ciente sobre a questão da paridade. Na visão dos analistas, o incidente também mostra que a empresa está disposta a aumentar o preço da gasolina, caso acredite ser necessário.
“Para o diesel, apesar de não termos nenhum reajuste, a combinação da queda do dólar frente ao real e a queda nos preços internacionais fizeram o deságio voltar para o patamar de 5%”, dizem Vitor Sousa e Israel Rodrigues, que assinam o relatório da Genial sobre a Petrobras (PETR4).