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A decepção com o balanço do 4º trimestre de 2024 da Petrobras deve ditar os rumos do mercado brasileiro nesta quarta-feira (27). A estatal teve prejuízo de R$ 17 bilhões, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões reportado no mesmo período de 2023. Em dólar, o prejuízo foi de US$ 2,8 bilhões; a projeção do Broadcast era de um lucro de US$ 2,8 bilhões.
Os números repercutiram mal e as ações da Petrobras iniciaram o pregão em queda acentuada. Às 10h, na abertura da sessão, a PETR3 tinha queda de 4,40%; a PETR4, por sua vez, caía 4,22%.
De acordo com a Petrobras, o resultado foi impactado pela desvalorização cambial e maiores provisões nas despesas operacionais. Desconsiderando os eventos exclusivos, a empresa teria registrado lucro de R$ 17,7 bilhões.
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Na avaliação da XP Investimentos, o balanço do 4T24 deve deixar uma impressão ruim aos participantes do mercado por algum tempo, pois parecia ser um grande consenso uma geração de fluxo de caixa livre (FCL) e a distribuição relevante de dividendos. A estatal vai propor a distribuição de R$ 9,1 bilhões aos investidores, com base na regra de remuneração de 45% do FCL prevista na atual política de remuneração de acionistas.
“O dividendo de US$ 1,6 bilhão ficou bem abaixo do consenso e da nossa expectativa, que era entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões”, destacam Regis Cardoso e Helena Kelm, que assinam o relatório da XP. “O principal culpado parece ser os investimentos (capex), que terminaram 2024 cerca de US$ 2,1 bilhões (15%) acima da projeção da companhia (guidance), com grande parte da surpresa concentrada no quarto trimestre de 2024.”
O aumento do capex da Petrobras no trimestre também foi um dos ponto de atenção destacados pela Genial Investimentos. Uma política mais agressiva de investimentos, principalmente no segmento de refino, que geral preocupação nos analistas da corretora. “Pontuamos dois principais riscos incorridos de maiores investimentos em refino: os riscos de execução e aumento da capacidade de refino, em uma empresa que abertamente não segue a paridade internacional”, destacam Vitor Sousa e Ricardo Bello em relatório.
O que fazer com ações da Petrobras agora?
As ações da Petrobras devem continuar sofrendo ao longo de todo o pregão, pressionadas por esta primeira reação negativa aos números apresentados. Ainda assim, o prejuízo no 4T24 não alterou a tese de investimento na companhia de algumas casas.
Como mostramos aqui, a XP tem recomendação de compra para a ação PETR4 com preço-alvo de R$ 46,00 para o fim de 2025, uma alta de 21,21% na comparação com o fechamento de quarta-feira (26), quando o papel encerrou o pregão a R$ 37,95. A Ágora Investimentos tem recomendação de compra para a Petrobras com preço-alvo de R$ 53,00 para o fim de 2025, alta de 39,7% em relação ao fechamento de quarta-feira.
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Já a Genial está receosa. Os analistas contam que o fato de a empresa ter colocado o pé no acelerador dos investimentos pode causar uma redução nos dividendos. Assim, eles preferem não correr o risco da tese. A corretora tem recomendação de “manter” para a Petrobras, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 48,00, alta de 26,48%.