O movimento ganhou força após relatos de que Washington apresentou a Teerã um plano de trégua de um mês, com possibilidade de reunião entre os dois lados já nos próximos dias. A perspectiva de alívio na oferta global foi suficiente para derrubar os contratos, que chegaram a cair mais de 5% durante a madrugada.
As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) recuam 1,17%, a R$ 51,75, e 1,42%, a R$ 46,92, respectivamente, em linha com a queda do Brent. No radar da estatal, permanece a avaliação de oportunidades de investimento, incluindo uma eventual compra da Refinaria de Mataripe, na Bahia. O Ibovespa, por sua vez, opera aos 184.878 pontos, com alta de 1,30%.
Entre as demais petroleiras listadas na B3, o desempenho é misto. PRIO (PRIO3) recua 2,56%, a R$ 65,90, acompanhando mais de perto o movimento da commodity. Já Brava Energia (BRAV3) sobe 1,23%, a R$ 18,06, enquanto PetroReconcavo (RECV3) avança 0,31%, a R$ 13,13, refletindo uma leitura mais seletiva dos investidores mesmo em um dia de queda do petróleo.
Negociação incerta mantém prêmio de risco
Apesar da reação dos mercados financeiros, o cenário segue longe de uma resolução clara. Autoridades iranianas adotaram tom duro, afirmando que não haverá acordo “nem agora, nem nunca”, enquanto condicionam qualquer avanço ao fim das ações militares contra o país.
O petróleo oscila entre dois vetores opostos. De um lado, a chance de trégua reduz o risco de interrupções no fluxo da commodity. De outro, a continuidade dos ataques entre Irã, Israel e países do Golfo Pérsico reforçam o prêmio geopolítico elevado, sobretudo diante de ameaças envolvendo rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz.
Estoques nos EUA e Fed entram no radar
Além da geopolítica, o mercado acompanha a divulgação dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos pelo Departamento de Energia, prevista para 11h30, indicador que ajuda a calibrar expectativas sobre oferta e demanda no curto prazo.
Ao mesmo tempo, dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) voltam a reforçar cautela com a inflação, sinalizando que a guerra no Oriente Médio pode influenciar o ritmo de juros. Esse componente adiciona uma segunda camada de volatilidade ao petróleo, que deixa de responder apenas à oferta física e passa a reagir também às expectativas macro.
Com a guerra entrando no 26º dia, o petróleo consolida um padrão de movimentos bruscos, alternando quedas expressivas e recuperações rápidas a cada nova sinalização diplomática ou escalada militar.
Com informações da Broadcast