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Mercado

Ações das aéreas ensaiam recuperação, mas incerteza ainda move o setor

Ações do setor aéreo ensaiam recuperação, mas incerteza ainda move o setor

Foto: Pixabay
  • Aéreas globais alcançaram US$ 190 bilhões em valor de mercado, em março.  O número é superior ao cravado em janeiro de 2020, quando o valor atingiu US$ 186,6 bilhões
  • A Associação Internacional de Aviação espera um prejuízo de US$ 47,7 bilhões em 2021. Em 2020, o número alto foi de US$ 126,4 bilhões
  • No acumulado dos últimos 12 meses, os papéis da CVC, Gol, Azul e Embraer registram aumento de 77,2%, 103,2%, 171,7% e 154,5%, respectivamente

As empresas aéreas estão no caminho para a recuperação da grande queda causada por conta da pandemia. Apesar do cenário de incertezas e da sensibilidade do setor frente à economia nacional, as expectativas são de melhoria para controle das dívidas e novos investimentos, especialmente com o início da vacinação de trabalhadores dos aeroportos.  

Não é a toa que as ações da CVC (CVCB3), Gol (GOLL4), Azul (AZUL4) e Embraer (EMBR3) têm oscilado muito no último ano. Desde maio do ano passado, os papéis registram um salto de 79,02%, 117,16%, 190,37% e 150,29%, respectivamente. Para quem já tem alguns dos ativos na carteira ou deseja adquirir, é necessário reconhecer os riscos do setor.

O cenário para os investimentos pode ser favorável nos próximos meses com o aumento dos brasileiros vacinados, como avalia Luis Sales, analista da Guide Investimentos. Entretanto, o atraso da recuperação não depende apenas das vacinas. “A crise nos países da América Latina comprometeu mais o dinheiro da população por conta do aumento do custo de alimentos e combustível, diferente da população de países mais desenvolvidos que, aliado à vacinação, possuem disponibilidade de renda para o turismo”, afirma. No Brasil, a inflação acumulada alcançou 6,76% em abril e o número de vacinados com as duas doses é de 9%.

Sales complementa que Azul teve um desempenho melhor no início do ano por conta das operações de cargas movimentadas pelo e-commerce, o que possibilitou o controle dos custos. Por outro lado, a Gol deve manter a recuperação a partir da movimentação dos voos entre capitais. “Assim como as linhas aéreas, esperamos que o turismo em geral se recupere no segundo semestre”, afirma o analista da Guide.

A diminuição de viagens corporativas também influenciou na crise das aéreas. “Com o trabalho remoto, as viagens a trabalho passaram a ser digitais, reduzindo os gastos de empresas com viagens”, diz José Cataldo, Head de Research da Ágora Investimentos. Segundo ele, a falta de perspectiva para vacinação em massa é responsável pelas empresas suspenderem a compra de aeronaves e restringirem número de voos.

Para Cataldo, é necessária uma melhor definição do contexto para avaliar a hora de investir nas companhias. Enquanto isso, a indicação para movimentação na carteira é neutra. “Se o investidor quer apostar nessas empresas por acreditar que está barato, nós achamos que ela está bem próxima do preço natural, devido ao contexto do País. Faremos uma revisão desses ativos quando tivermos maior clareza e evidência de que o pior já passou”, comenta.

Onda de incerteza doméstica

O especialista em direito empresarial e membro da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial Jusuvenne Zanini afirma que as companhias aéreas tentaram amenizar os danos com uma série de medidas, como redução de custos e número de funcionários e de voos. Mas ele acredita que a incerteza é o pior cenário para o setor aéreo. “O passageiro não compra a passagem para ir para outro estado em um mês porque não sabe se o lugar vai estar em lockdown por conta de uma nova onda ou variante do vírus, dificultando o planejamento das empresas e, consequentemente, dos investidores", diz Zanini. 

Para Cleveland Prates, professor de Economia da FGV e especialista em setor aéreo, o mercado também é muito influenciado pelo câmbio, por conta da precificação das aeronaves em dólar e das viagens internacionais restringidas. Segundo o professor, ainda não é possível desenhar cenários para mensurar a retomada do setor e poder tomar decisões em relação a investimentos.

“O setor é muito sensível ao movimento da economia. Qualquer situação na economia do País, as aéreas sentem mais intensamente”, diz.

Leia também:Por que as aéreas devem enfrentar mais turbulência antes da recuperação

Cenário internacional

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 nos Estados Unidos e Europa, as companhias aéreas estrangeiras avançam mais rápido na recuperação da crise iniciada em 2020. A volta por cima, entretanto, não chegou para as empresas da América Latina, que ainda enfrentam dificuldades por conta da pandemia de coronavírus.

É o que aponta um levantamento da Economatica, realizado entre janeiro de sobre o crescimento geral do mercado.

As aéreas alcançaram US$ 190 bilhões em valor de mercado no dia 17 de março deste ano. O número superou o valor máximo de US$ 186,6 bilhões cravado em janeiro de 2020, anterior à pandemia. Em maio de 2020, o valor de mercado derreteu para US$ 69,3 bilhões.

Entre as dez com maior crescimento, sete são americanas, entre elas Allegiant Travel Co., Southwest Airlines Co. e American Airlines Group Inc. Em relação às perdas líquidas, a International Air Transport Association (IATA) espera um prejuízo de US$ 47,7 bilhões em 2021. Apesar do número alto, é uma melhoria em relação ao prejuízo líquido estimado da indústria de US$ 126,4 bilhões em 2020.

Mesmo com a mexicana Volaris no topo da lista de crescimento, com 78% entre janeiro de 2020 e maio de 2021, as latinas são as que apresentam maiores números negativos.

A colombiana Avianca perdeu 94% do seu valor de mercado, seguida pela chilena Latam, com -73,9%, Aeroméxico com -67,2% e as brasileiras Azul e Gol, com -49% e -45,7%, respectivamente. “O turismo de vacinação dos mexicanos em direção aos Estados Unidos, além do funcionamento de regiões turísticas como Cancún, podem ter sido as causas da Volaris ter alcançado primeiro lugar em crescimento”, sugere Einar Rivero, gerente da Economatica, consultoria responsável pela pesquisa.

Segundo a IATA, as operadoras latino-americanas têm a característica de ter quase metade (48%) de sua receita por quilômetro de passageiro (RPK) gerados no mercado doméstico, em particular no mercado doméstico brasileiro. A previsão é que as receitas do crescimento das viagens domésticas reduzam as perdas líquidas em mais de dois terços este ano de -80,1% em 2020 para -20,4% das receitas em 2021, embora só um plano de vacinação mais efetivo possa confirmar as expectativas.

A Iata reforça a importância da vacinação, garantindo que a aceitação de passageiros vacinados é a melhor prática para a reabertura das fronteiras. Roteiros para reconexão entre países, medidas de biossegurança e ajuda financeira devem ser foco das companhias aéreas junto aos governos para o retorno das atividades ao redor do globo.

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