Os números mostram a continuidade de uma tendência que já tinha sido registrada no primeiro trimestre do ano. Entre janeiro e março, os investimentos de renda fixa viveram um verdadeiro boom de procura de investidores, em meio a uma somatória de fatores. De um lado, mudanças na tributação de fundos exclusivos e na emissão de títulos isentos de imposto de renda, como LCIs e LCAs que até então reinavam como queridinhas no mercado, direcionou o fluxo de capital para outros ativos dentro da renda fixa. Mostramos os detalhes desse contexto nesta reportagem da época.
Mas não foi só isso. O aumento da incerteza fiscal nos últimos meses e um cenário macroeconômico desafiador, de juros mais altos por mais tempo no Brasil e nos Estados Unidos, minaram o apetite a risco dos investidores brasileiros. A captação de recursos na renda variável caiu bruscamente e a B3 vive uma janela de dois anos sem uma oferta inicial de ações (IPO).
A emissão de renda variável caiu de R$ 17,9 bilhões no 2º semestre de 2023 para R$ 4,9 bi nos primeiros seis meses de 2024. A renda fixa por sua vez vem em uma escalada: R$ 128,1 bi no 1S23 e R$ 268,8 no 2S23 para o recorde de R$ 305 bi no 1S24.
Os ativos queridinhos na renda fixa: as debêntures
O ativo destaque de captação no 1º semestre de 2024 foram as debêntures. Ao todo, esses títulos registraram um volume de R$ 206,7 bilhões, fruto de 289 emissões realizadas no período. 31% dos ativos são indexados à inflação (IPCA) e o prazo médio das ofertas é de 7,5 anos. E os fundos de investimento foram quem mais aproveitaram essa janela: respondem por 46,1% do volume, aumento de 18,6 p.p. em relação ao 2º semestre de 2023.
O interesse por debêntures e debêntures incentivadas também pode ser notado no mercado secundário. A negociação no semestre saltou 30,4%, também em um volume recorde.
CRIs, CRAs e FIDCs, que também foram destaque no semestre, captaram R$ 31,4 bi, R$ 19,4 bi e R$ 34,3 bi, respectivamente.
Renda variável vai mal
Enquanto a renda fixa voa, a combinação do sentimento de aversão a risco e um cenário macro mais desafiador tem dificultado a captação no mercado de renda variável. Foram apenas 6 operações de follow-ons no 1º semestre, um número e um volume bem abaixo do que vinha sendo registrado. As emissões de ações movimentaram R$ 4,9 bilhões no período; foram R$ 13,5 bi e R$ 17,9 bi no 1º e 2º semestre de 2023, respectivamente.
Há ainda duas ofertas em andamento, que estão em análise, mas, por não terem sido concluídas, não entram na conta. O follow-on da Sabesp (SBSP3) e da Isa CTEEP (TRPL4), que podem movimentar R$ 15,9 bi e R$ 3,5 bi, respectivamente – bem menos, claro, que as captações com renda fixa.