

O Ibovespa hoje não escapou da tensão global e fechou em queda, com os mercados reagindo às tarifas de Trump. O principal índice da B3 terminou esta quinta-feira (3) em baixa de 0,04% aos 131.140,65 pontos, depois de oscilar entre máxima a 132.552,11 pontos e mínima a 130.181,74 pontos. Nos mercados europeus e asiáticos, o dia também foi negativo, assim como nos Estados Unidos.
Segundo a Casa Branca, a taxa geral mínima entra em vigor no dia 5 de abril e as tarifas individualizadas, em 9 de abril. Ao Brasil, será aplicada a tarifa mínima de 10%, assim como para Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Panamá, Paraguai, Reino Unido, Turquia, Ucrânia e Uruguai.
Outros países sofrerão com alíquotas maiores. Para a China, as tarifas recíprocas serão de 34% – além dos 20% já anunciados anteriormente –, enquanto os produtos da União Europeia serão taxados em 20%. Para o Japão, Coreia do Sul e Índia, as sobretaxas serão de 24%, 25% e 26%, respectivamente. Importações da Suíça terão uma tarifa de 31%, enquanto os produtos da Venezuela serão taxados em 15%.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
“A reação mais contida da Bolsa brasileira ao tarifaço pode ser atribuída. em parte, ao fato de que o Brasil foi submetido a uma tarifa mínima de 10% sobre seus produtos exportados para os Estados Unidos, uma taxa considerada moderada em comparação às impostas a outros países”, explica Leandro Ormond, analista da Aware Investments.
Na visão do especialista, essa diferenciação tarifária pode representar uma vantagem competitiva para o Brasil no comércio internacional, especialmente no segmento de commodities. No entanto, apesar da reação inicial mais branda do mercado brasileiro, o cenário internacional segue cercado de incertezas. “As tarifas impostas pelos EUA aumentam o risco de uma escalada nas tensões comerciais, o que pode trazer impactos negativos para a economia global, visto que essas tarifas foram maiores do que o esperado para a maioria dos países”, alerta Ormond.
Na Bolsa brasileira, ações de petroleiras sofreram no pregão. Os papéis da Brava Energia (BRAV3) chegaram a liderar as perdas do Ibovespa, recuando mais de 7%. Entre os papéis com maior peso na carteira do índice da B3, os ativos da Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3;PETR4) também se saíram mal, registrando quedas acima de 3%.
Em Nova York, Nasdaq tomba 5,97%
As Bolsas de Nova York fecharam em forte queda após o anúncio das tarifas de Trump na quarta-feira (2). Nasdaq tombou 5,97%, enquanto Dow Jones e S&P 500 registraram perdas de 3,98% e 4,84%, respectivamente, ao final do pregão.
Publicidade
A Apple (APPL), que produz a maioria de seus iPhones na China, liderou a queda das chamadas “Sete Magníficas”, grupo das maiores empresas do setor de tecnologia dos EUA. Nesta tarde, as ações da empresa tombaram 9,32%, enquanto a Amazon (AMZN) recuou 8,98% e a Tesla (TSLA) cedeu 5,47%. Já Nvidia (NVDA), Meta (META), Alphabet (GOOGL) e Microsoft (MSFT) tiveram perdas de 7,77%, 8,96%, 4,02% e 2,36%, respectivamente.
Bolsa de Paris cai mais de 3% na Europa
As Bolsas da Europa terminaram o dia no campo negativo após o anúncio tarifário de Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou nesta quinta-feira que a União Europeia está finalizando contramedidas em resposta às novas tarifas. Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que responderá às medidas “com cabeça fria e calma”.
Em Londres, o FTSE 100 recuou 1,55%, para 8.474,74 pontos. O DAX, de Frankfurt, caiu 3,08%, fechando em 21.700,36 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, teve queda de 3,31%, encerrando a sessão em 7.598,98 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 1,08%, para 13.192,07 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, subiu 0,13%, para 6.967,03 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, recuou 3,60%, fechando em 37.070,83 pontos. O Stoxx 600, índice formado a partir do desempenho de 600 empresas de diferentes portes, fechou em queda de 2,67%.
Bolsas da Ásia têm queda generalizada após tarifas de Trump
Na Ásia, o clima dos mercados também foi negativo. O índice japonês Nikkei caiu 2,77% em Tóquio, a 34.735,93 pontos, sob o peso de ações de chips e de bancos, enquanto o Hang Seng recuou 1,52% em Hong Kong, a 22.849,81 pontos, e o sul-coreano Kospi cedeu 0,76% em Seul, a 2.486,70 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto teve perda modesta, de 0,24%, a 3.342,01 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 1,10%, a 1.992,39 pontos. O mercado em Taiwan não operou hoje em função de um feriado. No caso taiwanês, as tarifas impostas pelos EUA chegam a 32%.
Na Oceania, a Bolsa australiana também ficou no vermelho em reação às tarifas de Trump, depois de acumular ganhos por dois pregões seguidos. O S&P/ASX 200 caiu 0,94% em Sydney, a 7.859,70 pontos.
Dólar cai globalmente
O dólar hoje fechou em queda de 1,20% a R$ 5,6281 em relação ao real. Analistas ouvidos nesta matéria comentam que as preocupações com a atividade econômica dos Estados Unidos têm pressionado a divisa, levando a um enfraquecimento generalizado da moeda americana.
Publicidade
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes (euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço) recuava 1,67% nesta tarde, aos 102,073 pontos – o nível mais baixo desde outubro de 2024.
Petróleo e minério fecham em queda
O dia foi de forte queda para os contratos futuros de petróleo, com a percepção de que as medidas de Trump podem gerar uma desaceleração da economia global e consequente reduzir a demanda pela commodity. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para maio caiu 6,64%, fechando a US$ 66,95 o barril. O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), cedeu 6,42%, alcançando US$ 70,14 o barril.
O minério de ferro também sofreu. O contrato mais negociado da commodity no mercado futuro da Bolsa chinesa de Dalian, para maio de 2025, fechou em queda de 0,32%, cotado a 788,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 108,48. Já em Cingapura, o minério para entrega em maio de 2025, recuou 1,52%, o que corresponde a US$ 101,25.
Ouro recua, mas permanece em patamar elevado
Os preços do ouro caíram no pregão desta quinta-feira, mas permaneceram acima dos US$ 3.100 por onça-troy, impulsionados pela busca dos investidores por proteção após o anúncio das tarifas de Trump. O contrato de ouro para junho recuou 1,41%, fechando a US$ 3.121,7 por onça-troy na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).
*Com informações do Broadcast