As interrupções das negociações do Tesouro ocorrem devido à forte oscilação nos preços dos títulos. Papeis indexados à inflação, como Tesouro IPCA+ (NTNBs), com ou sem juros semestrais, e prefixados (LTNs), estão sujeitos à marcação a mercado. Sempre que a taxa de mercado varia, os preços desses títulos também flutuam.
“É uma forma de entregar o preço justo para os investidores, a depender do cenário. Então, quando essa oscilação se dá de forma brusca, o Tesouro Nacional suspende as negociações desses títulos”, comenta Guilherme Almeida, especialista Suno. Nestes períodos, o Tesouro Selic, menos sensível à marcação a mercado, mantém estabilidade e oferece liquidez ao investidor. É o único título que continua sendo negociado durante as interrupções.
Almeida explica que as oscilações estão sendo causadas pelo pessimismo no mercado, ligado à questão fiscal, especialmente às finanças públicas. O pacote de corte de gastos do governo federal gerou reação negativa, pois muitos itens “são apenas redução no ritmo de crescimento das despesas, não cortes reais”.
“A isenção do IR também causou ruído na comunicação, reforçando a percepção de que o governo não está comprometido com o ajuste fiscal no curto prazo.” Essa incerteza leva o mercado a exigir taxas mais altas para financiar a dívida pública, ampliando o clima de desconfiança.
A incerteza é refletida na curva de juros, com o mercado exigindo taxas maiores para títulos futuros. No auge do estresse desta quarta (18), a taxa DI para contratos com vencimento em janeiro de 2029 marcava 15,49% às 17h20. Esse comportamento eleva os prêmios de risco e afeta os preços de prefixados e indexados à inflação, pela marcação a mercado.
Antônio Sanches, analista de research da Rico lembra, em artigo, que as negociações no Tesouro Direto são retomadas quando o mercado se estabiliza. Para saber se os negócios voltaram, o investidor precisa acompanhar na plataforma de investimentos e verificar a disponibilidade dos títulos para compra e venda. O site do Tesouro Direto é o melhor local fazer esse acompanhamento.
Ele lembra que, mesmo nos momentos de estresse, o Tesouro Direto continua sendo um investimento seguro e que a suspensão de negociação ocorre para proteger o investidor. “Não há motivos para se preocupar em relação à segurança desse programa”.
As interrupções dos títulos prefixados e híbridos (IPCA +), diz Sanches, reforçam a importância da reserva de emergência para os investidores em ativos seguros e líquidos, como o Tesouro Selic, que, inclusive, o Tesouro Nacional entende ser essencial para a necessidade de liquidez.