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Os títulos do governo da Venezuela disparam na manhã desta segunda-feira (5) com a repercussão dos investidores sobre a prisão do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no fim de semana.
Às 10h (de Brasília), os papéis emitidos pelo governo do país subiam mais de 10 centavos de dólar em relação ao pregão anterior. Com os ganhos, os bonds (como também são chamados os títulos soberanos) da Venezuela com vencimento para 2034 passaram a ser negociados em torno de 40 centavos de dólar na bolsa da Alemanha.
O mesmo movimento acontece com os títulos da petroleira PDVSA. Nesta manhã, os papéis da companhia eram negociadosna faixa entre 30 a 40 centavos de dólar. A valorização reflete a expectativa, embora ainda seja uma realidade distante, de uma eventual reestruturação das dívidas da Venezuela após a intervenção dos Estados Unidos no país.
“A Venezuela continua a enfrentar graves restrições de liquidez, e qualquer eventual processo de reestruturação provavelmente será longo e complexo”, disse Alberto Rojas, estrategista sênior de mercados emergentes do UBS à Bloomberg. “Por ora, no entanto, o mercado parece menos focado nos fundamentos de longo prazo e mais na reavaliação da flexibilidade política — um cenário que, até recentemente, muitos investidores consideravam altamente improvável”, acrescentou.
Já Ray Zucaro, diretor de investimentos da RVX Asset Management LLC em Miami, explicou à Bloomberg que, desde as primeiras ações militares dos EUA próximo à fronteira da Venezuela, os investidores já apostavam na queda de Maduro com uma possível intervenção americana no país. Agora, com a prisão do ditador venezuelano, a expectativa se concentra na nova administração do país.
“Se os EUA realmente acabarem no comando, trabalhando com a atual administração e maximizando a produção de petróleo, isso poderá ser uma grande vantagem para a Venezuela, inclusive em relação à sua dívida”, disse Zucaro à Bloomberg.
A prisão de Maduro ocorreu no último sábado (3), após os EUA realizarem bombardeios em Caracas, que resultaram na captura do líder venezuelano e de sua esposa, Cilia Flores. O governo americano acusa Maduro de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.
O presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos irão governar a Venezuela temporariamente até que ocorra uma “transição segura”. Segundo ele, autoridades americanas e militares assumirão a administração do país, sem prazo definido, e os EUA não descartam o uso de tropas em solo.
Trump acrescentou também que a ação marca o retorno da Doutrina Monroe, rebatizada por ele de “Doutrina Don-Roe” e destacou o petróleo como eixo central da estratégia: empresas americanas investiriam bilhões para “consertar” a infraestrutura petrolífera venezuelana e explorar as reservas, com presença militar para garantir o controle. Ele descartou a participação da opositora María Corina Machado em um novo governo.
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