A produção de minério de ferro da companhia no 4T25 avançou 6% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 90,4 milhões de toneladas (Mt), acima das projeções de analistas da Genial Investimentos e da Ágora Investimentos, que estimavam uma produção de 89,3 milhões de toneladas e de 89 milhões de toneladas, respectivamente. Na comparação com o trimestre anterior, a produção recuou 4,2%.
A Genial já estimava que a produção de minério de ferro da empresa fosse cair na relação trimestral, impactada pelo início do período chuvoso. O crescimento na base anual também era esperado, sustentado pelo avanço dos ramp-ups (aceleração da produção) dos projetos-chave da mineradora, como o de Capanema, em Minas Gerais.
No ano de 2025 inteiro, a produção de minério da Vale foi de 336,075 milhões, alta de 2,6% sobre o registrado em 2024. Com esse número, a mineradora superou, pela primeira vez desde 2018, a produção da empresa Rio Tinto em Pilbara, na Austrália, que foi de 327,3 milhões de toneladas.
Produção de cobre em destaque
A produção de cobre foi de 108,1 mil toneladas no quarto trimestre de 2025, avanço de 6,2% ante o mesmo período do ano anterior e alta de 19,1% na comparação trimestral. As vendas da commodity no período somaram 106,9 mil toneladas, crescimento de 8% na comparação anual e alta de 18,8% em relação ao trimestre anterior
Antes do relatório de produção e vendas, analistas já esperavam o avanço da produção de cobre. A Genial vê a commodity como o principal vetor positivo dentro da divisão de Metais Básicos da Vale (VBM), beneficiada por condições de oferta mais apertadas e preços elevados.
A Ágora compartilha dessa leitura. Em relatório, a casa afirma esperar que as operações de cobre apoiem os resultados da Vale no 4T25, compensando parcialmente um desempenho mais fraco no minério.
Dividendos seguem no radar para 2026
Gabriel Uarian, analista da Cultura Capital, destaca que a produção de minério de ferro acima das projeções dá conforto para a manutenção de dividendos robustos em 2026, com retorno atrativo se o minério ficar acima de US$ 100 por tonelada. “Não vejo risco de revisão para baixo nos proventos”, afirma. “Os preços do minério seguem como fator principal para determinar isso, mas os números operacionais reforçam resiliência”, acrescenta.
A discussão sobre dividendos permanece central para os investidores. A Genial ressalta que os desembolsos obrigatórios de fluxo de caixa livre relacionados a Brumadinho, Samarco e à descaracterização de barragens atingem um pico em 2025, mas recuam de forma relevante a partir de 2026, devolvendo flexibilidade financeira à companhia.
O principal gatilho para a remuneração ao acionista, na visão da corretora, é o limite de US$ 15 bilhões em dívida líquida expandida. Se, na avaliação semestral, a companhia estiver abaixo desse patamar ou mostrando uma trajetória de redução, a devolução de fluxo de caixa livre aos acionistas passa a ser o cenário-base. A forma dessa devolução pode variar entre dividendos e recompras de ações.
O que fazer com a ação da Vale agora?
Uarian, da Cultura Capital, avalia que as recomendações devem seguir construtivas para a ação, com os números ligeiramente acima do consenso no relatório de produção e vendas.
A Ágora tem recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 83 para 2026. O JPMorgan também recomenda compra para a ação, mas tem preço-alvo mais elevado, de R$ 100.
“A companhia vem entregando desempenhos positivos, especialmente no negócio de minério de ferro, com produção sólida e uma tendência de queda nos custos, o que sustenta sua perspectiva operacional. Adicionalmente, acreditamos que há um grande descolamento entre o desempenho das ações da Vale e o de seus pares”, destaca o JPMorgan.
A Genial, por sua vez, rebaixou nesta semana a recomendação da companhia para “manter”, após mais de três anos com indicação de compra. A decisão reflete uma visão mais cautelosa sobre os preços do minério de ferro, a rápida compressão do desconto da ação diante dos fortes fluxos de capital estrangeiro e o fato de o papel já estar sendo negociado próximo ao valor intrínseco estimado pela casa.
Como a ação deve reagir no curto prazo?
Segundo Uarian, a ação deve ter um viés de alta moderado no pregão de quarta-feira (28), já que os números divulgados confirmaram execução operacional forte. “O dado sobre a produção de 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro pode impulsionar o papel na abertura, mesmo antes do balanço completo”, afirma o analista.
No curto prazo, ele avalia que o desempenho do papel tende a depender mais do comportamento do minério de ferro no mercado internacional do que da prévia operacional em si, que já era esperada como sólida. Uarian ressalta que os dados de produção e vendas vão de neutros a positivos para uma eventual distribuição extraordinária de dividendos em 2026, que também depende do balanço completo da Vale e do cenário econômico da China.