Agora, muitas casas ajustaram as projeções frente à incerteza vinda do Oriente Médio. Como mostramos aqui, BofA, Itaú BBA e o ASA esperam por um corte de 0,25 p.p. Mas há quem esteja mais pessimista.
A XP Investimentos revisou sua expectativa, que antes estava alinhada ao consenso por um corte de 0,5 p.p, e acredita que não há espaço para o Copom cortar os juros nesta reunião. A projeção da corretora é de manutenção da Selic, com o ciclo de cortes começando apenas em abril. Aí sim, no ritmo de 0,50 p.p.
O argumento do time de economistas da casa é que o fluxo de dados e notícias piorou o cenário para a inflação desde o último encontro do Banco Central, em janeiro. Os preços do petróleo dispararam em meio à guerra no Oriente Médio, no maior nível desde 2022, enquanto no Brasil a atividade doméstica voltou a ganhar força.
“No último comunicado pós-decisão, o Copom sinalizou que, em se confirmando o cenário esperado, iniciaria a flexibilização da política monetária na reunião de março. No entanto, em nossa avaliação, o cenário previsto não se confirmou”, diz a XP. “Entre os desvios, protagonismo para o salto nos preços do petróleo, que representa um relevante choque negativo de oferta sobre uma economia sem capacidade ociosa e com inflação acima da meta.”
São mudanças suficientes para justificar uma postura de maior cautela por parte do BC, um “esperar para ver” nesta reunião. A nova projeção da XP para Selic este ano agora assume quatro cortes consecutivos de 0,50 p.p, começando em abril, para levar a Selic a 13,00% ao ano ao final de 2026.