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Negócios

Resiliência? Entenda por que as ações americanas continuam em alta

À medida que crescem os casos de covid no mundo, a receita estimada de 2022 para empresas do S&P também aumenta

Por E-Investidor

13/01/2022 | 18:00 Atualização: 13/01/2022 | 18:28

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

(Lu Wang e Emily Graffeo, Bloomberg) – Quer saber como as ações dos Estados Unidos podem continuar subindo apesar da nova política linha-dura do Federal Reserve (Fed) e da variante Ômicron que se propaga rapidamente? A resposta, mais uma vez, é a incrível resiliência na medida-chave da saúde corporativa americana.

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Por mais assustadoras que tenham sido todas as manchetes, elas ainda não decretaram qualquer dano considerável às previsões de lucros do S&P 500. Em vez de diminuir, à medida que o número de casos de covid-19 aumenta e a recuperação global fica cada vez mais preocupantemente ameaçada, a receita estimada de 2022 para as empresas no índice, na verdade, aumentou cerca de US$ 1 para US$ 220,40 por ação no mês passado.

É possível que os analistas tenham apenas reduzido lentamente os números conforme o rali pós-pandemia se aproxima de seu terceiro ano. Sem dúvidas, alguns gestores de carteiras aumentaram o número de ativos com liquidez imediata e reduziram a exposição ao risco, antecipando uma piora da economia.

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Mas os otimistas estão agindo como se as estimativas de lucro estáveis fossem plausíveis e difíceis de mudar. Em um ano repleto de antagonistas, desde as ondas de surtos de covid-19 até os gargalos nas cadeias de suprimentos, foi o lucro recorde por ação que manteve esse otimismo intacto.

“O crescimento econômico saudável e do lucro por ação funcionam como a base de um mercado movido por medos crônicos”, disse Jim Paulsen, estrategista-chefe de investimentos do Leuthold Group, que espera que os lucros de 2022 cheguem a US$ 240 por ação. “Você pode estar preocupado com a covid-19, a inflação, o Fed, a China, a Robinhood, os SPACs, as avaliações, etc. Mas a cada trimestre, o lucro por ação continua sendo melhor do que o esperado, forçando o consenso de melhorar as previsões. E isso traz aqueles que se aproveitam das oscilações de preços sempre que temos qualquer recuo significativo.”

Os nervos dos investidores foram testados em dezembro, quando o presidente do Fed, Jerome Powell, anunciou os planos para encerrar o programa de compra de ativos do banco central antes do previsto e sinalizou aumentos nas taxas para 2022 para combater a inflação. As perspectivas de taxas mais altas e crescimento mais lento desencadearam um rápido êxodo de ativos de risco. As empresas de tecnologia que não são lucrativas suportaram a pior parte das vendas. O mesmo aconteceu com as ações de empresas que recentemente abriram seu capital, muitas das quais ainda não ganharam dinheiro.

Mas o S&P 500, monitorando empresas grandes e consagradas, tem se mantido relativamente estável, flutuando dentro de 4% de seu máximo histórico graças à força dos resultados finais. Embora a recuperação de 27% alcançada pelo índice pareça difícil de explicar, o ritmo de sua valorização praticamente coincidiu com o aumento nos lucros estimados neste ano. Em outras palavras, os ganhos de participações foram impulsionados pela melhoria de aspectos fundamentais.

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Até mesmo a inflação – o inimigo público nº 1 no mercado de renda fixa – tem sido, em sua maior parte, um vento soprando a favor das empresas de grande capitalização. Graças à capacidade de repassar os custos mais elevados para os usuários finais, a margem de lucro, uma medida de quanto uma empresa pode manter sua arrecadação como receita, atingiu um recorde e, de acordo com analistas, ela deve crescer nos próximos dois anos.

Embora nem toda empresa seja capaz de defender sua lucratividade em meio às crescentes pressões sobre os preços, aquelas que conseguem estão saindo na frente. Uma cesta de ações do Goldman Sachs Group com margens altas estáveis superou aquela com menor poder de precificação em 7 pontos percentuais neste trimestre, a maior diferença desde o início da pandemia em março de 2020.

“O que realmente queremos encontrar são empresas com poder de precificação”, disse Giorgio Caputo, gerente sênior de carteiras da J O Hambro Capital Management. “Em um ambiente inflacionário, esse é o prêmio que continua sendo oferecido porque as empresas podem repassar seus preços durante o período de alta e não necessariamente precisam recuperá-los nos períodos de queda.”

Agora que o ano está chegando ao fim, “jogar na defensiva” substituiu o “medo de perder oportunidades” como o mantra do mercado. Na última pesquisa do Bank of America, os gestores de carteiras globais aumentaram seus investimentos de liquidez imediata, neste mês, para o nível mais alto desde maio de 2020, ao mesmo tempo que reduziram sua exposição ao risco para o nível mais baixo em 13 meses.

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No entanto, em meio a uma discordância de fatores de estresse macroeconômicos, o panorama geral de lucros robustos está quase intacto. Para a temporada de lucros do quarto trimestre, que está prestes a começar nas próximas semanas, as empresas no S&P 500 devem informar um salto de 19% nos lucros, mostram dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

Se o histórico recente servir como guia, os analistas talvez tenham mais uma vez subestimado o potencial de lucro – as empresas do S&P 500 reduziram as estimativas em pelo menos 10% nos próximos seis trimestres. Um exemplo para o lado positivo: com o valor de US$ 51,29 por ação, a receita estimada representa uma queda de 5% em relação aos três meses anteriores. Isso está em conflito com uma economia projetada para expandir 6% neste trimestre.

“Não acho que este seja o momento para ser pessimista de jeito algum. A pergunta para aqueles que já diminuíram sua exposição ao risco – e muitos fizeram isso – é: quando vocês vão voltar?”, disse Jay Pelosky, fundador e presidente da TPW Investment Management, em uma entrevista para Alix Steel na Bloomberg TV. “Os lucros do quarto trimestre serão incríveis. Acho que vocês não perdem por esperar até o início de janeiro. Isso, em retrospecto, seria um erro.” // TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

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