O lucro do BB no 4T25 veio 36% acima da previsão dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast. A projeção era de ganho de R$ 4,21 bilhões no período, de acordo com a média das estimativas de sete casas consultadas (Citi, BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of América, Goldman Sachs, Morgan Stanley e XP).
O balanço do BB era esperado com cautela pelo mercado, após um ano marcado por deterioração da qualidade da carteira de crédito, sobretudo no agronegócio, aumento das provisões e revisão para baixo do guidance (projeção) de 2025.
A instituição foi a última, entre os grandes bancos brasileiros, a reportar os números do quarto trimestre: Santander (SANB11), Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4) e BTG Pactual (BPAC11) já haviam divulgado seus resultados.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do Banco do Brasil, um dos pontos de atenção para os investidores, foi de 12,4% no 4T25, comparado com 8,4% no trimestre anterior e 20,8% um ano antes. A rentabilidade do BB está abaixo da de outros “bancões”. O ROE do Itaú foi de 24,4% e o do BTG foi de 27,6% no quarto trimestre, enquanto Santander e Bradesco entregaram indicadores de 17,6% e 15,2%, respectivamente.
Indicadores de inadimplência
Outro dado aguardado no balanço do BB era a taxa de inadimplência de 90 dias na carteira de crédito, que atingiu 5,17% em dezembro, elevação de 66 pontos-base na comparação com setembro de 2025. A inadimplência da carteira agro atingiu 6,09%, aumento de 125 pontos-base no trimestre. Já a inadimplência da carteira de pessoas físicas encerrou o período em 6,56%, elevação de 55 pontos-base.
O indicador de atraso para a carteira de pessoas jurídicas foi de 3,75%, impactada por um caso específico na carteira de TVM (títulos e valores mobiliários). Desconsiderando esse efeito pontual, o indicador teria sido de 2,86%, segundo o banco.
Carteiras de crédito
A carteira de crédito expandida do Banco do Brasil encerrou o quarto trimestre de 2025 com saldo de R$ 1,3 trilhão, um incremento de 2,5% na comparação com o mesmo intervalo de 2024 e de 1,4% em relação ao quarto trimestre de 2024.
A carteira de crédito do agronegócio, a que tem apresentado maiores problemas, cresceu 2,1% nos últimos 12 meses, totalizando R$ 406,1 bilhões. O número representa um avanço de 1,8% na comparação trimestral.
Na pessoa física, a carteira cresceu 7,6% em um ano, e 1,8% no trimestre, para R$ 356,9 bilhões. O crédito para a pessoa física foi impulsionado pela carteira de cartão de crédito, que teve alta de 19,6% em 12 meses e de 11,6% em três meses, para R$ 71,2 bilhões.
Na pessoa jurídica, a carteira atingiu R$ 455,2 bilhões, crescimento de 0,6% na comparação anual e de 0,5 % no trimestre. A carteira de grandes empresas totalizou R$ 207,5 bilhões, redução de 5,0% no ano e de 0,8% no trimestre, enquanto a carteira para micro, pequenas e médias empresas chegou a R$ 115,2 bilhões, redução de 7,9% no ano e de 2,8% no trimestre.
Projeções para 2026
O Banco do Brasil também apresentou o seu guidance para 2026. A projeção para o lucro líquido ajustado é de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões para o ano.
Já a carteira de crédito deve ficar entre 0,5% e 4,5%, incluindo estimativa de 6% a 10% para pessoa física, de -3% a 1% para empresas e de -2% a 2% para agronegócios. A carteira sustentável deve avançar entre 2% a 6% no ano, segundo o banco, enquanto a margem financeira bruta tem previsão de 4% a 8%.
As estimativas do Banco do Brasil para o custo do crédito são de R$ 53 bilhões a R$ 58 bilhões. Já as receitas de prestação de serviços devem ficar no intervalo entre 2% e 6% no ano, e as despesas administrativas, entre 5% e 9%.