“[O total sob custódia] ficou estável. Os BDRs de ETFs são focados no investidor de varejo e, secundariamente, no segmento institucional, com os fundos de pensão. E esse público, no momento atual, tem pouca demanda para investimento no exterior”, afirmou Karina Saade, presidente da BlackRock Brasil, durante conversa com jornalistas hoje, em São Paulo.
A executiva avalia que há menos apetite por risco, seja local ou internacional, por conta da taxa básica de juros seguir em patamares elevados – agora a 11,75% ao ano, conforme decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “Com a Selic ainda muito alta, esse público tem pouca demanda por risco e está optando por posição menos arriscada, pois está sendo bem remunerado por isso”, diz Saade.
Por outro lado, Saade observa o investidor de varejo “experimentando”, com aprendizado de conceitos e abertura de conta em plataformas que permitem o investimento no exterior, mesmo que com baixo montante de fato investido. Ela acredita que, assim que a Selic cair mais, haverá uma rotação de carteiras para segmentos mais arriscados, começando com crédito privado, depois renda variável e então ativos internacionais. “O importante é não deixar de conversar com o investidor sobre isso, pois em algum momento ele vai alocar de forma mais significativa”, afirma.
Atualmente a BlackRock Brasil possui 140 BDRs de ETFs listados, sendo 9 do segmento de “megaforças” – conceitos de investimentos que não são cíclicos, mas tendências estruturais que a gestora avalia que devem persistir no longo prazo, como inteligência artificial, infraestrutura e urbanização.