O anúncio foi confirmado por Johnson à imprensa em frente à sede do governo, no número 10 de Downing Street, em Londres.
Johnson deixa o governo em meio a uma crise política após mais de 50 pessoas entregaram os cargos desde as saídas do chefe das Finanças, Rishi Sunak, e do ministro da Saúde, Sajid Javid, que renunciaram na terça-feira, 5.
Rishi Sunak
O ex-ministro das Finanças e o primeiro hindu a ocupar o cargo, foi um dos dois ministros de grande destaque que renunciou na terça-feira. Sunak, de 42 anos, já chegou a ser considerado o grande favorito para suceder a Johnson, mas perdeu a legitimidade após escândalos.
Os casos giravam em torno do status fiscal vantajoso de sua mulher bilionária, que lhe permitia evitar o pagamento de impostos no Reino Unido, e o greencard que ele tinha até o ano passado.
Jeremy Hunt
Ex-ministro de Relações Exteriores e Saúde, perdeu para Boris Johnson a liderança conservadora de 2019.
Desde então, Hunt, de 55 anos, se prepara para concorrer novamente, construindo apoios e ficando fora do governo.
Liz Truss
A ministra das Relações Exteriores, Truss, de 46 anos, tornou-se muito popular nas bases do Partido Conservador.
Como ministra do Comércio, votou pela permanência na UE antes de mudar de lado e conseguir fechar uma série de importantes acordos comerciais pós-Brexit.
Sajid Javid
O ex-ministro da Saúde, foi o outro peso-pesado do governo e do Partido Conservador que renunciou na terça-feira. Filho de um motorista de ônibus paquistanês, Javid, de 52 anos, foi um renomado banqueiro antes de se tornar ministro das Finanças de Johnson.
Ele renunciou em 2020 e voltou ao governo em 2021. Votou pela permanência na UE pelos benefícios econômicos, mas depois se juntou à causa do Brexit.
Priti Patel
Ministra do Interior, Patel, de 50 anos e origem indiana, é a mais conservadora dos ministros de Johnson e firme defensora do Brexit.
Tom Tugendhat
O presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, de 48 anos, foi o primeiro a anunciar sua intenção de se candidatar se Johnson renunciasse ou sofresse um impeachment. Ex-oficial do Exército, serviu no Iraque e no Afeganistão.
Penny Mourdaunt
Ex-ministra da Defesa e atual secretária de Estado do Comércio Exterior, Mordaunt, de 49 anos, foi uma das figuras da campanha a favor do Brexit e desde então trabalha nas negociações de acordos comerciais para o Reino Unido.
Investidores monitoram a crise
Um apetite por ativos de risco no exterior traz alívio ao dólar em meio a quedas da moeda americana ante pares principais e divisas emergentes e ligadas a commodities nesta manhã. A alta do petróleo favorece um dólar mais fraco. Os investidores também ajustam posições enquanto digerem a ata da última reunião de política monetária do Banco Central Europeu.
A ata, o BCE indica mais altas de juros adiante e alerta que se o processo de normalização monetária for muito lento, as pressões de demanda podem se ampliar. “É fundamental que o BCE mantenha sua credibilidade, mostrando sua determinação”, afirma o documento, no qual os dirigentes consideram ainda a estagflação como um “resultado improvável”.
Ontem à tarde, o Federal Reserve também divulgou sua ata da última reunião, que elevou juros em 75 pontos-base, à faixa atual entre 1,50% e 1,75%. Na ata, dirigentes do BC americano veem alta da taxa básica em 50 pontos ou 75 pontos como “apropriada” no encontro deste mês.
No exterior, o tom é positivo nos mercados de ações, com destaque para valorização firme das bolsas europeias, seguindo a valorização da véspera em Wall Street, apesar do crescimento menor do que o esperado na produção industrial da Alemanha em maio.
Os juros dos títulos americanos avançam. O petróleo também ensaia recuperação após quedas recentes, se beneficiando do dólar mais fraco, a despeito do tema recessão e inflação elevada continuar no radar dos investidores.
Os mercados financeiros globais vêm operando pressionados por temores de que o aperto monetário do Fed eventualmente leve os Estados Unidos a uma recessão. Na Europa, este risco também se faz presente, enquanto na China prosseguem incertezas em relação ao ritmo de recuperação da economia.