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Ibovespa acompanha NY e fecha em alta após anúncio de nova tarifa chinesa aos EUA; dólar cai

Resultados trimestrais positivos de bancos em Nova York ajudaram índices de ações de Wall Street

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Rariane Costa,  Bruno Andrade e  Beatriz Rocha 

11/04/2025 | 5:41 Atualização: 11/04/2025 | 17:23

A economia da China é a segunda maior do mundo (Foto: Envato Elements)
A economia da China é a segunda maior do mundo (Foto: Envato Elements)

O Ibovespa fechou no campo positivo nesta sexta-feira (11), em dia de alta também para as Bolsas americanas. Investidores reagiram ao novo capítulo da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Pela manhã, Pequim anunciou que vai elevar as tarifas de importação sobre produtos americanos de 84% para 125% — o governo chinês prometeu ser a última resposta às elevações anunciadas nesta semana pelo presidente americano Donald Trump, que subiu as tarifas sobre produtos do país asiático para 145%.

Leia mais:
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  • O que significam as novas tarifas sobre a China para os consumidores e para o mercado de ações
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As Bolsas de NY fecharam o pregão com ganhos, após começarem o dia no campo negativo. Dow Jones avançou 1,56%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram altas de 1,81% e 2,06%, respectivamente. O Ibovespa, por sua vez, teve valorização de 1,05%, a 127.682,40 pontos. As ações da Vale (VALE3) avançaram, junto com siderúrgicas e papéis do setor de consumo. Petrobras (PETR3;PETR4) também inverteu o sinal à tarde e fechou em alta.

Nos EUA, o mercado repercutiu balanços de grandes bancos, como JPMorgan e Wells Fargo, que ficaram acima do esperado. O JP teve lucro líquido de US$ 14,64 bilhões no primeiro trimestre de 2025, maior do que o ganho de US$ 13,42 bilhões apurado em igual período do ano passado, segundo balanço publicado nesta sexta-feira. As ações do banco (JPM) chegaram a subir mais de 4% em Nova York.

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Já o Wells Fargo reportou lucro líquido de US$ 4,89 bilhões no primeiro trimestre de 2025, um pouco maior do que o ganho de US$ 4,619 bilhões de igual trimestre de 2024. O lucro por ação do banco americano entre janeiro e março de 2025 ficou em US$ 1,39, superando a previsão de analistas consultados pela FactSet, de US$ 1,23.

A guerra comercial que mexeu com os mercados globais nesta semana ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira. A taxa de 125% aos EUA anunciada pela China entra em vigor neste sábado (12). A decisão do Conselho de Estado do país ocorreu depois que autoridades do governo Donald Trump informaram na quinta-feira (10) que aplicarão uma tarifa mínima de 145% sobre todas as exportações do gigante asiático. 

Na visão do governo chinês, no nível tarifário atual, não há possibilidade de aceitação de mercado para produtos dos EUA exportados para a China. Desse modo, caso os Estados Unidos elevem novamente as tarifas pelos produtos chineses, a China já não deverá mais fazer o mesmo.

“Mesmo que os EUA continuem a impor tarifas mais altas, isso não fará mais sentido econômico e se tornará uma piada na história da economia mundial. Entretanto, se os EUA insistirem em continuar a infringir substancialmente os interesses da China, a China contra-atacará resolutamente e lutará até o fim”, diz a nota.

No câmbio, o dólar hoje abriu a sessão desta sexta-feira (11) em desvalorização acima de 1% e terminou o dia em queda de 0,47% a R$ 5,8708. A divisa também caiu globalmente, com o índice DXY, que mede a performance do dólar contra seis rivais fortes, perdendo o patamar de 100 pontos.

No Brasil, IPCA também foi monitorado

Além dos novos desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China, investidores brasileiros acompanharam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março. A inflação no mês ficou em 0,56%, ante uma elevação de 1,31% em fevereiro. Ainda assim, o resultado ficou acima das estimativas. Esse foi o maior IPCA para um mês de março desde 2023 (0,71%).

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“Esse cenário, somado à desancoragem das expectativas, ainda não oferece alívio à autoridade monetária no curto prazo, como sinalizado na última comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom). Em nossa visão, alguns pontos também podem dificultar o trabalho da autoridade monetária como, por exemplo, as recentes medidas do governo para evitar um esfriamento da economia, dado que elas podem limitar a desaceleração ou até mesmo intensificar a inflação”, avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Bolsas europeias caem com guerra tarifária

As Bolsas da Europa fecharam majoritariamente em queda nesta sexta-feira, pressionadas pela nova ofensiva da China na guerra comercial. A decisão de Pequim de elevar tarifas de 84% para 125% sobre importações americanas esfriou o apetite por risco.

Em Paris, o CAC 40 caiu 0,30%, para 7.104,80 pontos. Em Madri, o Ibex 35 recuou 0,18%, aos 12.286,00 pontos. Já o FTSE MIB, de Milão, perdeu 0,73%, para 34.027,83 pontos, e o DAX, da Bolsa de Frankfurt, cedeu 0,92%, a 20.374,10 pontos.

Na contramão, o FTSE 100, de Londres, subiu 0,64%, aos 7.964,18 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 também teve um desempenho positivo e avançou 1,81%, para 6.520,48 pontos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ao Financial Times que a União Europeia está preparada para adotar medidas comerciais mais duras e que pode inclusive impor tarifas contra o setor de tecnologia dos Estados Unidos. Isso ocorreria caso o bloco não chegue a um acordo tarifário com o presidente americano, Donald Trump.

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“Estamos desenvolvendo medidas retaliatórias. Há uma ampla gama de contramedidas caso as negociações não sejam satisfatórias”, afirmou ao jornal britânico. “Um exemplo seria a possibilidade de aplicar uma taxa sobre as receitas de publicidade de serviços digitais”, citou.

Von der Leyen ressaltou na entrevista que a UE buscará um acerto comercial “completamente equilibrado” com Washington durante a pausa de 90 dias na aplicação de tarifas adicionais, restando somente os 10% das tarifas universais. A tarifa adicional imposta por Trump ao bloco era de 20%. Ontem, a UE informou também ter suspendido por igual período medidas de retaliação.

Segundo informações do Broadcast, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que irá considerar os efeitos das tarifas e impactos das taxas de câmbio na inflação europeia ao gerenciar a política monetária. “O BCE está sempre pronto para usar as ferramentas disponíveis”, disse, em coletiva de imprensa nesta manhã. Lagarde acrescentou que o banco central está monitorando cuidadosamente os desdobramentos dos mercados da zona do euro, que estão funcionando de maneira ordenada até o momento.

Bolsas da Ásia sem direção única

As Bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta sexta, com forte queda em Tóquio e ganhos em Xangai, enquanto investidores seguem monitorando os desdobramentos da política tarifária do governo Trump e a escalada da guerra comercial entre EUA e China.

O índice japonês Nikkei caiu 2,96% em Tóquio, a 33.585,58 pontos, pressionado por ações de eletrônicos e do setor farmacêutico, à medida que a rixa comercial entre Washington e Pequim compromete a perspectiva da economia global. O ministro de Política Econômica e Fiscal do Japão, Ryosei Akazawa, disse que deseja visitar os Estados Unidos “o mais rápido possível” para abrir negociações sobre as tarifas.

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A alíquota anunciada aos produtos japoneses é de 24%. Contudo, o país é beneficiado por 90 dias da trégua anunciada anteontem por Trump – ou seja, está na tarifa universal de 10%. “Considero as tarifas dos Estados Unidos uma crise nacional”, afirmou Akazawa. Em Seul, o sul-coreano Kospi recuou 0,50%, a 2.432,72 pontos, sob o peso de ações de montadoras e ligadas a baterias.

Já na China continental, os mercados ficaram no azul, impulsionados por ações de semicondutores após uma associação do setor publicar diretrizes para ajudar a indústria de chips a lidar com o período de tensões comerciais. O Xangai Composto subiu 0,45%, a 3.238,23 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,72%, a 1.881,78 pontos.

O dia foi positivo também em Hong Kong, onde o Hang Seng avançou 1,13%, a 20.914,69 pontos, com a ajuda de ações de montadoras e de chips, e em Taiwan, com alta de 2,78% do Taiex, a 19.528,77 pontos, uma vez que a ação da TSMC saltou 3,01% após o maior fabricante de semicondutores do mundo divulgar números de vendas animadores.

Na Oceania, a Bolsa australiana terminou o pregão em baixa, após uma semana de extrema volatilidade em meio às incertezas tarifárias. O S&P/ASX 200 caiu 0,82% em Sydney, a 7.646,50 pontos.

Ouro atinge novo recorde acima de US$ 3.200

Os contratos futuros de ouro fecharam em nova máxima histórica nesta sexta-feira, acumulando o segundo recorde consecutivo, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais.

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Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato para entrega em junho avançou 2,11%, encerrando a sessão a US$ 3.244,6 por onça-troy. Na máxima do dia, o ouro chegou a bater US$ 3.263,0. Na semana, o metal dourado acumulou uma alta de 3,5%.

Petróleo fecha sessão em alta, mas acumula perdas na semana

Os contratos futuros de petróleo fecharam esta sexta-feira em alta, após caírem para o nível mais baixo em mais de quatro anos ao longo da semana, à medida que os temores de uma recessão provocada pela política tarifária de Trump varreram os mercados globais.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato de petróleo WTI para maio subiu 2,38%, fechando a US$ 61,50 o barril. O Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), avançou 2,26%, alcançando US$ 64,76 o barril. No acumulado da semana, o contrato do WTI teve perda de 1,2%, enquanto o do Brent valorizou 1,8%

*Com informações do Broadcast e NYT.

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