Hoje, a referência da B3 oscilou entre 101.325,28 e 103.327,73, para fechar o dia em baixa de 0,52%, aos 102.063,25 pontos, assim como ontem no menor nível de encerramento desde 10 de janeiro. Mais fraco do que na sessão anterior, o giro financeiro ficou em R$ 23,8 bilhões.
“Com a inflação atingindo recordes por toda parte, os bancos centrais têm elevado o tom, e os juros, para controlar os preços em alta. Se, por um lado, juros mais altos ajudam a combater a inflação, também desaquecem a economia. Quanto maiores as altas, mais forte o freio na atividade e maior a preocupação”, resume Antônio Sanches, analista da Rico Investimentos. Assim, o temor em relação à maior economia do mundo, os Estados Unidos, deixa de ser quanto ao grau de desaquecimento da atividade, mas sobre quando eventual recessão irá se impor. Em Nova York, depois de o S&P 500 abrir o dia ensaiando alguma recuperação, acabou também cedendo terreno, em baixa de 0,38% no fechamento.
“Todas as atenções seguem voltadas para as reuniões de política monetária amanhã, tanto a do Copom como a do Fed. Estava muito claro que o aumento nos juros americanos seria de meio ponto, e que aqui também seria meio ponto de alta, mas com esses dados recentes sobre inflação, mais fortes lá fora, o cenário fica meio turvo, o que se reflete na volatilidade que temos visto”, diz Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos.
Nesta terça-feira, o desempenho positivo de Petrobras (ON +0,89%, PN +1,13%) – embora moderado em direção ao fechamento, com a mudança de sinal do petróleo – e das utilities, puxadas por Eletrobras ON (+3,37%) e PNB (+2,36%) – ambas ações na ponta do Ibovespa -, contribuiu para mitigar os efeitos do dia negativo para Vale (ON -0,20%), siderurgia (Usiminas PNA -2,60%, Gerdau PN -2,27%) e bancos (Itaú PN -0,67%, Bradesco PN -1,01%, Santander -1,11%). Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para Via (-10,20%), CVC (-6,70%) e Positivo (-5,94%). No lado oposto, além das duas ações de Eletrobras, CPFL Energia (+3,15%), WEG (+1,81%) e Totvs (+1,30%).
“Ontem o Ibovespa já estava no menor patamar desde janeiro, então ali na região dos 101.945 pontos – fechou ontem nos 102,5 mil pontos. Na segunda-feira, apesar do forte movimento de baixa, o índice respeitou o suporte imediato dos 102.390 pontos, deixado no pregão de 10 de maio, que continua a ser a referência mais importante do momento: se rompido pode levar o índice a buscar os 100.850”, observa Heytor Bortolucci, analista técnico na Genial Investimentos.
“O Ibovespa já vinha em baixa nas sete sessões anteriores à de hoje, tendo perdido força no começo do mês quando chegou aos 112,7 mil pontos durante a sessão do dia 2. Hoje, chegou a subir 0,7%, aos 103,3 mil pontos, mas a aversão a risco global não ajudou, com quedas que já vinham da sessão asiática. Muito se fala de eventual perda dos 100 mil pontos, o que dependerá muito da leitura do mercado sobre os próximos indicadores econômicos e como estes vão se refletir na atuação dos bancos centrais – com atenção especial para a ‘super quarta-feira’, amanhã”, acrescenta o analista gráfico.