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O que o novo dado de inflação dos EUA revelado hoje indica sobre o corte de juros por lá

Apostas do mercado financeiro sobre a magnitude da redução das taxas americanas mudou imediatamente após a divulgação do CPI; entenda

Por Luíza Lanza

10/10/2024 | 11:38 Atualização: 10/10/2024 | 15:38

Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos (Foto: Adobe Stock)
Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos (Foto: Adobe Stock)

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,2% em setembro ante agosto, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10). Na comparação anual, o avanço foi de 2,4% em setembro. Depois de uma alta também de 0,2% em agosto, a expectativa era que a inflação americana ficasse em 0,1% no último mês.

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Agora, os dados reforçam a mensagem que o payroll, principal indicativo do mercado de trabalho dos EUA, já havia passado na última semana: não há pressa para reduzir a taxa de juros do país.

“A surpresa negativa e a composição menos benigna do resultado de hoje deveriam reduzir o conforto do Fed com o processo de desinflação nos EUA, ainda que a trajetória continue favorável. Mesmo com desempenho ruim vindo de itens voláteis ou que tem menor peso no PCE, como passagens aéreas ou serviços médicos, o resultado sugere aceleração acima de 0,2% do núcleo do deflator dos gastos com consumo em setembro”, avalia a equipe econômica do Bradesco.

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O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) optou por iniciar o ciclo de afrouxamento monetário, o primeiro em quatro anos, em setembro com uma redução de 50 pontos-base. Com isso, levou a taxa de juros dos EUA para o intervalo entre 4,75% e 5,0% ao ano. No entanto, de lá para cá, todos os novos dados referentes ao ritmo da economia americana indicaram uma atividade ainda resiliente, que levanta dúvidas se a instituição monetária vai seguir reduzindo os juros nas reuniões marcadas para novembro e dezembro.

E o CPI desta quinta-feira reforça isso. “Após o Fed pautar sua decisão em cortar os juros em 50pb no enfraquecimento no mercado de trabalho, o mercado ficou confuso com a força do último payroll e aguardava o dado de inflação para montar o quebra cabeça”, explica Jefferson Laatus, chefe-estrategista do grupo Laatus. “Com a divulgação do CPI, vem a conclusão: o Fed exagerou na mão, já que o país vive pleno emprego, atividade econômica resiliente e agora inflação com sinais de repique. Os ativos deverão passar por ajustes nos próximos dias com índices devolvendo lucros.”

Às vésperas da divulgação do dado de inflação, as apostas do mercado indicavam uma expectativa por cortes menores de juros daqui para frente. De acordo com o CME Group, a chance de corte de 25 pontos-base no encontro de novembro é o cenário mais provável e representava cerca de 77,7% das apostas. Depois do CPI, subiu para 87%.

Este também é o cenário-base de Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad. “A meu ver os dados não alteram a percepção de que é provável termos dois cortes de 0,25 ponto porcentual nos juros até o final do ano, mas o ajuste pra cima no núcleo certamente vai aumentar a ansiedade com relação à próxima divulgação do Índice de Preços para Gastos de Consumo Pessoal (PCE). Antecipar o que vem por aí em relação à dinâmica inflacionária ficou um pouco mais difícil”, avalia, ao comentar o índice de preços ao consumidor (CPI) de hoje.

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