A companhia informou na noite de quinta-feira (15) que o seu conselho de administração aprovou a eleição de Fabio Mader como CEO, no lugar de Fabio Martinelli Godinho, em linha com o plano de sucessão da empresa.
Mader, que ocupava até então o cargo de vice-presidente de produtos e revenue management (gestor de receitas), possui mais de 20 anos de experiência nos setores de turismo, hotelaria e aviação. Ao longo de três passagens pela CVC, que somam quase 15 anos de atuação, liderou áreas estratégicas, incluindo a condução dos negócios na Argentina durante a pandemia.
O novo CEO aposta numa estratégia estruturada em cinco pilares interconectados. Um deles é o foco no cliente, com o fortalecimento de uma jornada integrada de ponta a ponta. A gestão também deseja aprofundar a integração entre canais físicos e digitais, preservando a assistência humana que caracteriza o turismo.
No critério de rentabilidade, a atenção está concentrada no desempenho das lojas atuais e na otimização das operações existentes. Outra etapa é a do desenvolvimento de pessoas e transformação cultural como um processo contínuo, com uso estratégico das soluções digitais para geração de resultados.
Por fim, o quinto pilar consiste na desalavancagem financeira contínua, mantendo disciplina rigorosa na gestão do balanço, com redução progressiva do endividamento e maior rentabilidade dos produtos e operações.
A estratégia da nova gestão prevê ampliar gradualmente a participação dos canais digitais próprios – site e aplicativo – com a meta de que eles representem entre 20% e 30%, respectivamente, das vendas nos próximos três anos, sempre de forma integrada ao modelo assistido de lojas.
“Estamos juntando três elementos centrais: o cliente, a transformação da experiência por meio da tecnologia e a rentabilidade. Esse é o mandato claro que o conselho estabeleceu para este novo ciclo”, explica Mader em nota.
Como o mercado reage à troca de CEO?
Em relatório, o Santander avaliou que a nomeação de Mader está “bem alinhada” ao momento atual da CVC, que deve seguir buscando crescimento e maior rentabilidade, ao mesmo tempo em que trabalha por uma estrutura de capital mais saudável em termos de alavancagem.
“Sua ampla experiência no setor, com mais de 20 anos no turismo e quase 15 anos na CVC, somada a um histórico consistente de melhorias de produtos nos últimos anos, reforça essa avaliação. Enxergamos a mudança como um passo natural dentro da estratégia já em curso, e não como uma alteração relevante”, destaca o Santander.
Ao Broadcast, Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, destacou que a CVCB3 vinha de uma recuperação recente, o que facilitou a realização de lucros no pregão e a pressão de fluxo vendedor. “A queda hoje reflete aversão a timing e execução, não é um julgamento definitivo sobre o novo CEO”, ponderou.
Segundo ele, contudo, a troca súbita de comando pegou o investidor da CVC de surpresa. “O mercado não quer ruído”, complementou.
*Com informações do Broadcast