A divisa americana atingiu a mínima do dia às 15 horas, cotada em R$ 5,227 (-1,13%). Pouco mais de 30 minutos antes, o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia confirmado que pediu ao atual governo para não tomar medidas que impactem a nova administração, quando questionado sobre as desonerações. A informação já havia sido divulgada ontem pela assessoria do petista. “Isso foi muito positivo: o dólar caiu, a curva de juros caiu bastante e a Bolsa subiu. Foi um sinal interessante, de responsabilidade fiscal”, diz o chefe da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.
Nas contas da LCA Consultores, a volta da cobrança de PIS, Cofins e Cide sobre os combustíveis pode adicionar até R$ 53,0 bilhões às receitas do governo e ajudar a financiar parte do aumento de despesas contratado para o ano que vem. Durante a tarde, também circulou entre operadores uma entrevista de Haddad ao jornal O Globo, na qual o petista prometeu um “plano robusto” de corte de gastos no início do ano que vem. O futuro ministro ainda garantiu que pretende entregar um déficit primário menor do que os R$ 220 bilhões previstos no Orçamento de 2023.
Os sinais positivos do ponto de vista fiscal ajudaram a sustentar o fortalecimento do real, que teve valorização superior à de pares emergentes e ligados a commodities. Diante de temores acerca da demanda pelo risco de recessão global e de novas ondas de covid-19 na China, o petróleo WTI para fevereiro fechou em baixa de 0,72%, em US$ 78,96 o barril, e o Brent para março caiu 1,27%, a US$ 83,26 o barril.
O analista de câmbio da corretora Ourominas Elson Gusmão acrescenta que a baixa liquidez e a disputa entre comprados e vendidos para a formação da Ptax de dezembro e de 2022, amanhã, ajudaram a dar o tom da sessão. Hoje, o contrato futuro do dólar para janeiro, termômetro do apetite do mercado por negócios, movimentou pouco mais de US$ 9 bilhões.