

Depois de se manter alinhado ao exterior em queda durante toda a manhã, na etapa vespertina, motivado por cautela local e alguma movimentação mais técnica, o dólar se fortaleceu ante o real. Encerrou a última sessão de 2022 em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,2800 no segmento à vista. No acumulado da semana, a valorização chegou a 2,20%. No ano, entretanto, houve recuo de 5,31%.
A virada de sinal coincidiu com o anúncio – e algumas declarações – dos nomes restantes para compor o ministério do novo governo e também após o fechamento da Ptax. A taxa encerrou o dia cotada a R$ 5,2177, em baixa de 1,06% em relação ao fechamento da véspera (R$ 5,2736). Em dezembro, o referencial usado para liquidação de contratos futuros e elaboração de balanços corporativos caiu 1,44%. Já em 2022, a taxa recuou 6,50%.
Na avaliação de Camila Abdelmalack, economista da Veedha Investimentos, a inversão refletiu cautela dos investidores pela incerteza do momento de transição de governos e que, em dia de liquidez reduzida, acentuou as oscilações. Na máxima, nesta tarde, o dólar spot chegou a bater R$ 5,3040. “Mas não foi nenhum nome específico, uma vez que já está claro para o mercado que o primeiro escalão está servindo para acomodação política, que é exigida nesse jogo”, lembrou.
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
Na avaliação de Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos, o mercado repercutiu de alguma forma o número de ministérios (37) que passarão a existir a partir de 2023 com o governo do presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva.
Por outro lado, Pasianotto complementa que seguem no radar do mercado as decisões da futura equipe econômica do governo, com destaque para as conversas que dizem respeito à prorrogação da desoneração dos impostos federais sobre combustíveis. Ela lembra que o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que o novo governo terá maior preocupação fiscal, principalmente no primeiro trimestre.
Do ponto de vista externo, muito embora o dólar tenha operado mais fraco que moedas fortes e boa parte de divisas emergentes pares do real, há implícita uma preocupação com as medidas de flexibilização da política covid zero por Pequim. “A preocupação do mercado ainda é a economia da China.
Hoje o país declarou processo de reabertura econômica com flexibilização das medidas sanitárias, mas ainda o mercado teme novos surtos de covid na economia chinesa e esse ‘stop and go’ que temos acompanhado no curto prazo”, afirma economista-chefe da Reag Investimentos.
Publicidade
Confira também: o desempenho da Bolsa em 2022, as 5 ações com maior rentabilidade no ano e os 5 papéis com pior desempenho no período.