“O dólar operou em queda hoje sob a predominância de fatores externos: a queda acentuada do índice DXY, que compara o dólar com outras seis moedas fortes, e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Nesta segunda-feira (9), o mercado acompanhou discurso do diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller. Ele disse que um pouco da euforia com criptomoedas que surgiu com a volta de Donald Trump à Casa Branca está “desaparecendo”, apesar de ressaltar que a volatilidade é normal dentro do mercado de ativos digitais.
Em evento no Global Interdependence Center, Waller acrescentou que posições de risco levaram empresas tradicionais a vender criptomoedas.
Ainda no radar, ficou a notícia de que reguladores chineses aconselharam instituições financeiras a reduzirem suas participações em Treasuries (títulos públicos americanos), citando preocupações com riscos de concentração e volatilidade do mercado. Autoridades instaram os bancos a limitarem as compras de títulos do governo dos EUA e instruíram aqueles com alta exposição a reduzirem suas posições, disseram fontes não identificadas à Bloomberg. A diretiva não se aplica às participações estatais chinesas em títulos do Tesouro dos EUA.
“Essa medida da China em limitar a compra de Treasuries pelos seus bancos impacta o câmbio, pois reduz a demanda por dólar e favorece as cotações do ouro, que subiram forte hoje”, afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 2%, a US$ 5079,40 por onça-troy. Já a prata para março avançou quase 7%, a US$ 82,234 por onça-troy.
Boletim Focus: mercado reduz estimativa de inflação
No Boletim Focus divulgado hoje, a mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 caiu de 3,99% para 3,97%. Já a projeção para a Selic no fim deste ano continuou em 12,25% pela sétima semana seguida. Em relação ao câmbio, a estimativa para a cotação do dólar ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 17ª semana consecutiva.
A agenda está carregada nesta semana. Por aqui, o mercado aguarda o IPCA, a medição oficial da inflação no Brasil, que será divulgada na terça-feira (10). Nos Estados Unidos, são esperados o relatório oficial de emprego, o payroll, na quarta-feira (11), e o índice de preços ao consumidor (CPI), na sexta-feira (13).
*Com informações do Broadcast