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Dólar hoje: moeda fecha em alta no maior valor desde janeiro de 2023

Expectativas sobre dado dos EUA e para a política monetária do Fed estiveram no radar do mercado de câmbio

Por Antonio Perez

11/06/2024 | 17:52 Atualização: 11/06/2024 | 17:52

Imagem: Adobe Stock
Imagem: Adobe Stock

Após ganhos acumulados de 2,02% nos dois pregões anteriores, o dólar apresentou fôlego reduzido nesta terça-feira (11). Com trocas de sinal ao longo do dia, em especial pela manhã, a divisa terminou a sessão em ligeira alta, em sintonia com o comportamento da moeda americana no exterior. Investidores evitaram apostas mais contundentes na véspera da divulgação de índice de inflação ao consumidor nos EUA e da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).

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Por aqui, a possibilidade de interrupção do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Banco Central neste mês, reforçada pela leitura ruim IPCA de maio, já estaria incorporada à taxa de câmbio, dizem operadores. O IPCA acelerou de 0,38% em abril para 0,46% em maio, no teto das estimativas de Projeções Broadcast. Houve também aceleração das médias dos núcleos e de serviços subjacentes.

Com mínima a R$ 5,3732, o dólar à vista encerrou o pregão em alta de 0,08%, cotado a R$ 5,3610, ainda no maior valor desde 4 de janeiro de 2023 (R$ 5,4524). Pela manhã, o dólar até esboçou uma queda, com mínima a R$ 5,3365, atribuída a ajustes e fluxo exportador. Foi o terceiro pregão consecutivo de avanço do dólar no mercado doméstico, que já acumula valorização de 2,10% em junho e de 10,46% no ano.

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O economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, vê um quadro de dólar mais rígido, com a piora recente do quadro fiscal e das expectativas de inflação. Apesar de momentos de alívio na taxa de câmbio, com janelas pontuais de venda de dólar, o real deve seguir fragilizado pelo fluxo desfavorável, com menor superávit comercial em relação ao ano passado e captação externa de empresas abaixo das expectativas.

“Pelo lado fiscal, a situação ainda é ruim, sem garantia da compensação da perda de receita com a desoneração e ainda sem o aval de Lula para que a equipe econômica defina uma meta de crescimento das despesas obrigatórias de saúde e educação”, afirma Velho, que estima piso informal do dólar em R$ 5,24.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou no fim da tarde devolução de parte da Medida Provisória que limita a compensação de créditos do PIS/Cofins, proposta do Ministério da Fazenda para recuperar parte da receita perdida com redução gradual da desoneração da folha de pagamentos. A MP enfrenta forte resistência de setores econômicos.

No exterior, o índice DXY operou em leve alta, com o euro sofrendo mais uma vez em meio à turbulência política após avanço da extrema direita no Parlamento Europeu e convocação de eleições antecipadas na França. Entre divisas emergentes pares do real, o peso mexicano apresentou perdas de mais de 1%, após a presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, indicar que as discussões sobre uma reforma constitucional no país devem começar em breve.

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Para o sócio e CIO da TAG Investimentos, André Leite, não dá para atribuir a depreciação do real ao ambiente global de dólar forte, dado que a moeda brasileira é a que apresenta as maiores perdas entre seus pares no acumulado do ano. Em comentário numa rede social, ele afirma que o “menor carry, o fiscal ruim (e dando a sensação de descontrole)” e, após maio, os impactos na calamidade no Rio Grande do Sul “explicam” o desempenho do real. “E olha que o México sofreu um choque política nas eleições recentes”, afirma Leite.

Analistas veem, em geral, um quadro de dólar forte no mundo no curto prazo. É dado como certo que o BC americano vai anunciar amanhã manutenção da taxa básica na faixa entre 5,25% e 5,50%. As atenções se voltam à projeção de dirigentes do Fed para inflação e juros, no chamado gráfico de pontos, e à entrevista coletiva do chairman Jerome Powell.

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