A expectativa dos mercados é de que as duas autoridades monetárias não realizem nenhum reajuste sobre as taxas de juros. Contudo, no exterior, a busca por segurança prevalece. Isso porque investidores ainda incorporam aos ativos um prêmio de imprevisibilidade ligado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o risco de novo shutdown (paralisação da máquina pública) a partir de sábado (31), inflação difusa e o inverno rigoroso, que levou o gás natural acima de US$ 6 pela primeira vez desde 2022. Também segue no radar a indicação do novo presidente do Fed.
Por aqui, os investidores digerem os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) que subiu 0,20% em janeiro, abaixo da projeção de 0,23% dos analistas. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,20% e, nos últimos 12 meses, de 4,50%, abaixo dos 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, os números mostram que o quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação.
“Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda recente dos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção, tanto no segmento agrícola quanto no industrial. Esse conjunto de fatores, aliado à moderação da atividade econômica, tende a contribuir para que o IPCA de 2026 encerre abaixo do limite superior da meta (4,5%). Em nosso cenário, projetamos que a inflação feche o ano em 4,0%”, diz Sung.