O presidente Donald Trump confirmou a intenção de bloquear portos iranianos, ampliando o alcance do conflito para além do Estreito de Ormuz. A resposta de Teerã classificou a medida como “ato de pirataria” e sinalizou que nenhuma infraestrutura energética na região estará segura em caso de avanço americano.
Mesmo antes da nova ameaça, o Estreito de Ormuz já operava sob forte restrição. A via, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, segue refém de condicionantes políticos e militares, sem garantia de funcionamento contínuo.
No fechamento, o barril do petróleo WTI para maio encerrou com alta de 2,6% na Nymex, a US$ 99,08, enquanto o do Brent para junho avançou 4,36% na ICE, a US$ 99,36.
A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em março caiu quase 8 milhões de barris diários e 27,5% em relação à verificada em fevereiro devido à guerra no Irã e ao bloqueio do estreito de Ormuz, informou o órgão nesta segunda-feira.
A entidade manteve a projeção de crescimento da produção brasileira, estimando avanço para cerca de 4,6 milhões de barris por dia em 2026, com expansão puxada por projetos como Búzios e Mero.
Agenda em segundo plano
Com os desdobramentos da guerra, a agenda dos EUA fica em segundo plano no dia. O calendário econômico estadunidense desta semana traz como destaque pesquisa mensal sobre o índice de preços ao produtor (PPI).
Não só isso, a temporada de balanços trimestrais do país ganha força nesta semana, com resultados de gigantes bancários. O Goldman Sachs, por exemplo, divulgou resultados acima das expectativas hoje, no geral, mas mesmo assim as ações estão em baixa, pressionando o Dow Jones durante o pregão, uma vez que os analistas não gostaram do volume de negociações na unidade de renda fixa, moedas e commodities da instituição financeira. As ações do banco fecharam em baixa de 1,87%, ainda que acima das mínimas.
A Oracle subiu 12,7%, liderando o índice S&P 500, após a provedora de plataforma em nuvem destacar algumas de suas capacidades de inteligência artificial para fornecedores de serviços públicos em seu Customer Edge Summit.
Nesse cenário, as Bolsas de Nova York se moviam em direções opostas durante a sessão desta segunda-feira. O Dow Jones encerrou em alta de 0,63%, aos 48.219,05 pontos, enquanto o S&P 500 avançou 1,02%, aos 6.886,24 pontos, e o Nasdaq ganhou 1,23%, aos 23.183,74 pontos.
Para o Morgan Stanley, há um mercado que descontou os riscos de forma adequada, observando que mais da metade das ações do índice Russell 3000 caíram 20% ou mais. “É importante ressaltar que o crescimento dos lucros está se movendo na direção oposta, o que explica por que o impacto negativo nos preços foi contido em menos de 10% para o S&P 500”, pontuam analistas do banco. Para eles, a combinação de múltiplos em queda com crescimento de lucros em ascensão é uma correção clássica de mercado em alta, não de mercado em baixa.
Os rendimentos dos títulos de renda fixa de dívida pública do governo americano, os Treasuries, operam em alta nesta segunda. O juro da T-note de 2 anos encerrou o pregão em queda de 3,773%, o da T-note de 10 anos caiu a 4,290% e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,893%.
No câmbio, o dólar avança em relação a outras moedas de economias desenvolvidas. Às 17h11 (de Brasília), o euro avançava a US$ 1,1763, a libra subia a US$ 1,3507, e o dólar valorizava a 159,41 ienes. Já o índice DXY do dólar — que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes — tinha queda de 0,27%, a 98,385 pontos.
Contra o real, o dólar fechou em queda de 0,29%, encerrando abaixo do nível de R$ 5, a preço de R$ 4,9970 na venda, superando o pregão da sexta-feira (10), em que a moeda americana fechou a sessão em seu menor nível desde abril de 2024, aos R$ 5,00115 na venda.
*Com conteúdo Broadcast