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Efeito Lula x Trump: valorização do real impulsiona o mercado de crédito brasileiro?

A trégua diplomática entre Lula e Trump fortalece o real, leva o Ibovespa a recordes e reacende discussões sobre o crédito e os investimentos no Brasil, mas executivos alertam para riscos de euforia sem fundamentos

Por Isabela Ortiz

28/10/2025 | 14:20 Atualização: 28/10/2025 | 14:20

Efeito Lula x Trump: valorização do real impulsiona confiança no crédito (Foto: Adobe Stock)
Efeito Lula x Trump: valorização do real impulsiona confiança no crédito (Foto: Adobe Stock)

A trégua diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump gerou uma onda de otimismo nos mercados. O encontro, que sinalizou uma possível reaproximação comercial entre Brasil e Estados Unidos, foi suficiente para impulsionar o Ibovespa a novos recordes e valorizar o real frente ao dólar.

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O movimento reacendeu o debate sobre o mercado de crédito – o segmento do sistema financeiro responsável por captar recursos de poupadores e repassá-los, por meio de empréstimos, a famílias e empresas. Com o dólar em queda, o custo de crédito às empresas brasileiras deverá ficar mais barato, mas especialistas recomendam prudência, já que o alívio pode ser temporário caso não haja avanços concretos nas negociações e na política monetária.

Quando o real se valoriza, há menor pressão sobre os preços de importados e sobre o custo de captação em moeda estrangeira, o que reduz riscos cambiais e pode favorecer condições de financiamento mais estáveis. Em contrapartida, quando o crédito encarece ou se retrai, o crescimento tende a perder fôlego, motivo pelo qual a valorização do real e a estabilidade cambial são vistas como condições indispensáveis para reduzir custos, mitigar riscos e destravar o financiamento empresarial.

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Segundo analistas, essa melhora no bom humor internacional reflete uma leitura de que o diálogo entre Brasil e EUA pode destravar exportações, aliviar pressões cambiais e reforçar a confiança dos investidores estrangeiros.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que o mercado reagiu à combinação de dois fatores: o avanço nas conversas comerciais e a percepção de que o ambiente global caminha para menor tensão.

“O Ibovespa renovou recorde impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e pela leitura de que um acordo pode destravar exportações e impulsionar setores industriais”, afirmou.

Para ele, a valorização do real reduz pressões inflacionárias e amplia o espaço para o Banco Central manter a trajetória de cortes na Selic – um alívio indireto para o crédito.

  • Encontro de Lula e Trump: O que acontece agora? Veja os próximos passos das negociações

Mas o entusiasmo não é unânime. Executivos do setor financeiro alertam que, apesar do câmbio mais estável, o crédito corporativo segue caro e restrito. Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue, lembra que “o real ganhou força e a Bolsa renovou recorde, mas o crédito corporativo continua escasso e caro”.

Segundo ele, o custo de capital ainda está entre os mais altos do mundo, e o empresário deve aproveitar o momento de calmaria apenas para reorganizar dívidas e fluxo de caixa.

Na mesma linha, Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X, considera que a previsibilidade ainda é incerta. “O ambiente interno segue travado pelo juro alto e pela baixa produtividade”, avaliou. Para Kotz, a confiança no mercado de crédito depende menos de diplomacia e mais de execução “A confiança se reconstrói na base da execução, não da expectativa”, afirmou.

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Entre os analistas de mercado, há consenso de que a reação positiva reflete uma reprecificação de risco político, e não necessariamente uma melhora estrtutural do crédito. André Matos, CEO da MA7 Negócios, ressalta que o investidor voltou a buscar equilíbrio.

“A leve recuperação da bolsa e a acomodação do dólar mostram um mercado que reage a sinais diplomáticos positivos. Se as negociações avançarem, o real pode ganhar força no curto prazo”, explica.

Ainda assim, ele adverte que ruídos políticos podem inverter rapidamente o movimento.

Quem se beneficia?

Para setores sensíveis ao câmbio, como o imobiliário e o de construção, o alívio veio em boa hora. Pedro Ros, CEO da Referência Capital, observa que a estabilidade da moeda reduz custos de importação e melhora margens, mas alerta: “essa estabilidade só será sustentável se o diálogo com os EUA se transformar em acordos concretos que ampliem competitividade e exportações”.

Outros executivos pedem prudência diante da euforia. Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, afirma que “o mercado não precificou fundamento”. Para ele, ainda não há fluxo comercial suficiente que justifique uma valorização duradoura do real. “O risco é o Brasil entrar em um novo ciclo de otimismo superficial, valorizando ativos, mas sem resolver crédito, produtividade e investimento”, disse.

Na avaliação de Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, a valorização da moeda reflete um “alívio diplomático”, mas não resolve o principal gargalo do sistema financeiro: o custo elevado de capital. “O desafio é transformar esse momento de trégua em agenda de liquidez e eficiência financeira, substituindo o otimismo cambial por mecanismos concretos de financiamento à economia real”, afirmou.

O “efeito Lula x Trump” trouxe fôlego e confiança aos mercados, mas seu impacto direto sobre o crédito ainda é limitado. A valorização do real melhora o ambiente macroeconômico e reduz volatilidade, o que pode facilitar cortes graduais na Selic. No entanto, enquanto os juros permanecerem altos e o sistema bancário conservador, o custo de financiamento seguirá elevado.

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