

A Embraer (EMBR3) é a companhia brasileira mais exposta às tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, avalia o Santander (SANB11). Os analistas do banco calculam que cerca de 60% as receitas da companhia em 2024 vieram de exportações para os Estados Unidos. Desse total, 26% são de bens produzidos no Brasil e vendidos para o mercado norte-americano.
Contudo, a equipe do Santander destacam que a Embraer compete com a Airbus, que também fabrica aeronaves fora dos Estados Unidos. “Com isso, provavelmente a empresa possui poder de precificação suficiente para compensar as tarifas ajustando seus preços de acordo”, avaliam os analistas Aline Cardoso, Guilherme Bellizzi & Samanta Imbimbo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) que irá impor uma tarifa de 10% para as importações brasileiras, a alíquota mínima sobre as importações proposta pelo chefe do executivo americano. A medida começará a valer a partir da zero hora desta quinta-feira (3).
Publicidade
Invista em oportunidades que combinam com seus objetivos. Faça seu cadastro na Ágora Investimentos
Depois da Embraer, a lista de empresas é composta por Tupy (TUPY3) e WEG (WEGE3), respectivamente. Ambas têm entre 22% e 23% das receitas vindas da exportação para os Estados Unidos. “A WEG tem alguma capacidade ociosa em suas plantas nos EUA, permitindo que absorvam parte da produção atualmente movimentada no exterior”, comentam. Além disso, uma parcela significativa de sua fabricação é baseada no México, que pode estar isento de tarifas devido ao acordo USMCA.
No caso da Tupy, os especialistas avaliam que a empresa mantém contratos de longo prazo com fabricantes de automóveis, o que poderia permitir que elas repassassem as tarifas para seus preços. “No entanto, isso pode envolver negociações desafiadoras”, ponderam.
A equipe do Santander comenta ainda sobre a Suzano, quinta colocada na lista, atrás da Iochpe-Maxion.
Sobre a produtora de celulose, apontam que apesar da exposição de 15%, as tarifas podem ser um ponto positivo, pois podem forçar o fechamento de produtores de alto custo no Canadá. A Azzas (AZZA3), CSN (CSNA3), Randon (RAPT4), CSN Mineração (CMIN3), Companhia Brasileira de Alumínio (CBA [CBAV3]), Usiminas (USIM5), Vale (VALE3) e Klabin (KLBN11) também seriam impactadas, segundo a tabela do Santander, mas em menor escala. CSN, por exemplo, possui 5% da receita atrelada à exportação para os EUA. Usiminas, Vale e Klabin, por sua vez, têm cerca de 3%.
Publicidade